30 de jul de 2009

O BODE EXPIATÓRIO


Falar de futebol e não difamar a arbitragem é o mesmo que ir a Roma e não ver o papa. A arbitragem é o tópico mais apurado quando o assunto é futebol. Infelizmente, sempre visto como o causador da derrota deste ou daquele time.
Jogadores (regra 03),  dirigentes, torcedores e principalmente jornalistas esportivos não querem olhar o árbitro (regra 05) e seus assistentes (regra 06) como seres humanos que, durante uma partida de futebol, não conseguem ver tudo o que acontece no solo sagrado (campo de jogo - regra 01)  para sempre tomarem decisões corretas. Onde há um ser humano certamente haverá erro.
Quando um jogador erra um pênalti (regra 14), é criticado imediatamente pelo torcedor. Este mesmo torcedor logo esquece que seu time desperdiçou grande oportunidade de gol (regra 10). Agora, quando a arbitragem deixa de marcar um pênalti que na opinião deste torcedor foi cometido, a arbitragem passa a ser a principal causa da derrota do time.

Os cartolas (dirigentes, na linguagem futebolística) gastam até o que não podem para montar seus elencos e têm na arbitragem seu maior adversário. Sempre que derrotados logo comentam que o árbitro deixou de marcar uma penalidade máxima ou inventou uma, contra sua equipe. Consideram a arbitragem prejuízo financeiro (taxa de arbitragem) e de resultado (em caso de derrota). Esta opinião é exposta naturalmente nas entrevistas após jogo e no decorrer de toda semana que antecede a partida seguinte.
Treinadores e jogadores são outros que sempre se utilizam da arbitragem como bode expiatório para explicarem seus fracassos. Nunca a derrota veio por causa de uma escalação equivocada ou de um gol desperdiçado pelo atacante contratado a peso de ouro, um gol desperdiçado que vale a frase “até minha cozinheira faria este”!

Os jornalistas esportivos são indiretamente o combustível para a criação dos bodes expiatórios. São eles que através dos olhos frios das câmeras de televisão apontam os erros da arbitragem, erros humanos! Equivocadamente, a maioria dos jornalistas esportivos não tem o conhecimento apurado da Carta Magna do Futebol (livro de Regras). Pergunto: como alguém pode opinar sobre um assunto em que é leigo?

Por Valter Ferreira Mariano

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