13 de jul de 2009

Ética do árbitro de futebol na sua conduta

1 – O quê ética para cada um de nós?

Ética # Moral

Basicamente, moral é o que você, particularmente, julga ser certo. E ética são códigos de conduta que afirmam o que deve ser certo ou não. Nem tudo que é ético, é moral (podemos ter conduta éticas imorais), portanto, ser ético não quer dizer satisfazer a moralidade dos outros.

Atenção: o que é moral para o árbitro, pode ser imoral para sociedade futebolística. Entretanto, o árbitro deve sempre analisar se, apesar de moral para ele pode ser indiscutível para outros (nasce à ética).

Ser ético é politicamente correto, policiar-se nos atos.

A relação ética e moral são a mesma referente à de árbitro e juiz. Ambos são tomadores de decisões baseados em normas existentes, não detentores de poder para determinar penas.


2 – Ética no futebol e suas relações: A seguir, tópicos para discussão (sempre cobrado dos árbitros em relação aos outros, sem que os mesmo cobrem destes referidos):

2.1: dos árbitros em relação aos jogadores. Tópicos: Quando há amigos, conhecidos? Times em que você trabalhou diversas vezes? Rancor e simpatia? Profissionalismo? Julgamento da qualidade técnica do jogador?

2.2: dos árbitros em relação aos dirigentes. Tópicos: Quando os dirigentes procuram ser simpatizantes ou ameaçadores? Confraternizações posteriores? Agrados, presentes?

2.3: dos árbitros sem relação ao público. Tópicos: Quando é contestado ou ovacionado? Dirigentes envolvidos na arquibancada em situação de torcedores? Anônimos no alambrado? Atitudes pré ou pós jogo?

2.4: dos árbitros em relação à imprensa em geral. Tópicos: Quando há entrevistas (saber falar)? Análises sobre seu jogo? Sobre outro jogo apitado por outro árbitro? Relacionamento, atenção, exclusividade a emissoras.

2.5: dos árbitros em relação aos próprios árbitros. Tópicos: Quando se refere a sua própria atuação (autocrítica)? Árbitro como torcedor? Comentários sobre jogos de seu companheiro de atividade? Separação de atuação do árbitro e da personalidade do mesmo? Análise crítica ou exemplo ilustrativo, educativo de jogadas e marcações?

Há corporativismo na arbitragem? É esse o grande problema do árbitro: falta de união, um tentando derrubar o outro. Não buscam novas oportunidades, mas a oportunidade do próximo.


3 – Confecção de relatórios: O que é um relato? Certamente, não é um julgamento. È um conto, uma história verídica. Sempre devemos contar histórias, nunca estórias, pois não pode existir ficção. Relatar corretamente, portanto, é exercer a ética.

Dentro de campo, o árbitro aplica as punições que ocorrem através das regras pré-estabelecidas na Carta Magna do futebol - 17 regras. Fora de campo, relata, conta os fatos, sem querer manifestar qualquer espécie de pré-julgamento ou influência de opinião.

Os julgadores serão sempre as juntas disciplinares, os comitês, a justiça desportiva. Nuca e o árbitro.

3.1 - Fazer o relatório na hora ou depois? Tópicos a discutir:

· Emoção ou razão na feitura do documento?
· Frescor dos fatos?
· Discernir com os companheiros?

Importante: Recentemente, houve um aumento no rigor das punições, devido a vigência do novo Código Esportivo. Um mau relato pode abrandar ou reforçar as penas.

3.2 – Conseqüências de um mau relato:

· Transparece a falta de ética do árbitro;
· Mostra a incapacidade do árbitro;
· Punições injustas;
· Comentários nada sutil a sobre sua autoridade.
3.3 - Como relatar?

· Clareza (não fazer rodeios);
· Objetividade (ir direto aos fatos);
· Racionalidade (Não deixar sentimentos influenciarem seu relato);
· Disponibilidade (disposto a escrever sem omissão);
· Imparcialidade (ser justo e coerente);
· Limpeza e apresentação (todos entendem o que você apresentou?).


Conclusões:

Ser ético é ser, acima de tudo, respeitoso. Ser árbitro, no desafio que a atividade exige, é ser acima de ético, um cidadão! Ou seja, mais do que alguém respeitador, um respeitado pelas virtudes que lhe são atribuídas para um bom desempenho de sua nobre função, o que o árbitro demonstra antes do jogo (na sua concentração), durante o jogo (nas tomadas de decisões), depois do jogo (nos relatos) e fora de campo (pessoa íntegra em todos os momentos).

Valter Ferreira Mariano- Árbitro assistente da Federação Paulista de Futebol.
Nota: Extraído do artigo escrito por Rafael Porcari – árbitro da Federação Paulista de Futebol.

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