17 de dez de 2010

AS MESAS REDONDAS

Domingo à noite fiz um programa diferente do que costumo fazer. Deitei-me no sofá diante da televisão e passei a assistir os inúmeros programas esportivos, as chamados “mesas-redondas”, que na verdade, nem mesa tem e muito menos algo parecido no formato redondo. 

No início de cada programa, o apresentador descreve um breve resumo de como será o mesmo, fala dos gols da rodada, da classificação, das jogadas geniais, dos artilheiros e dos acontecimentos do mundo da bola. Em seguida, o mesmo faz apresentação de todas as “figuras” presentes, intercaladas com as inúmeras chamadas dos patrocinadores, que não são poucas e se prestarmos atenção, elas consomem mais de 60% do tempo total do programa. 

Com programa iniciado, logo esta pauta resumida fica de lado, o apresentador-chefe vai logo atacando as arbitragem que envolveram os jogos, principalmente dos grandes clubes. Nota-se que no resumo não há chamada para este assunto, porém ele passa ser o principal a ser debatido. Ele (o apresentador) dispara contra os árbitros. 

“Porque os árbitros espoliaram o clube tal em dois ou três jogos seguidos, deixaram por assinalar não sei quantos penaltis a favor e deram não sei quantos impedimentos que não existiram. Por exemplo, na partida de hoje, a bola bateu na mão do zagueiro e cortou a trajetória, seria gol, e desta forma deveria marcar penalti, é vergonhoso o que esses ‘caras’ estão fazendo com o futebol brasileiro. Eles não são fracos e sim muito mal intencionados. Se um clube reclama deles abertamente na imprensa são logo prejudicados novamente na partida seguinte. Isso é perseguição!” 

Na verdade esses programas esportivos usam as imagens da televisão para criar polêmicas e obter um maior número de pontuação no Ibope, pois insere na cabeça do pobre torcedor, esse sim, mal tratado nos estádios de futebol, onde não tem qualquer conforto ou respeito, uma falsa e cruel imagem que a arbitragem só existe para “roubar” o seu time de coração. É com essas imagens e opiniões que esse mesmo torcedor passará a sua semana debatendo com outros torcedores de times rivais, nas horas vagas do seu trabalho ou nas filas em busca do mesmo, nas mesinhas dos botecos ou na sua volta pra casa num coletivo lotado, que seu time foi literalmente roubado pelos chamados “juízes de futebol”. 

Com certeza, esses programas poderiam dar uma grande contribuição ao futebol colocando a visão do árbitro e de seus assistentes como única. Pois são decisões tomadas em segundos e em situações complicadas durante a partida. Culpar sistematicamente a arbitragem pelo maus desempenhos das equipes, principalmente as chamadas “grandes”, dá audiência e isso é o que importa. 


Foto: site RD1 AUDIÊNCIA

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