18 de jan de 2012

A evolução da Carta Magna do Futebol

O futebol é um esporte com fortes raízes na tradição. Suas regras sofreram pequenas alterações desde que foram colocadas no papel pela primeira vez, em 1863, pouco depois da fundação da Federação Inglesa de Futebol. Apesar disso, diversas mudanças indispensáveis ajudaram a garantir a evolução da modalidade ao longo dos anos, embora o objetivo sempre tenha sido preservar a essência do esporte mais popular do mundo, de modo a garantir que as Regras do Jogo pudessem ser aplicadas desde o futebol de elite até o amador. Aqui, oFIFA.com dá uma olhada nessas pequenas alterações.

1866: Passes para frente são permitidos

A mudança mais fundamental foi justamente a primeira delas: a permissão do passe para frente — desde que houvesse três defensores entre o recebedor do passe e o gol. Antes disso, toda vez que a bola era chutada, qualquer jogador da mesma equipe que estivesse mais próximo da meta adversária estava em posição ilegal e não podia receber a bola. A alteração de 1866 representou um primeiro passo fundamental para o distanciamento em relação à regra original do impedimento (que continua em uso no rúgbi), permitindo que o jogo de passes florescesse.

1891: Introdução do pênalti

Quase três décadas se passaram desde a elaboração das primeiras regras até que o pênalti, hoje um elemento característico do futebol, fosse finalmente instituído. Funcionando anteriormente sob a premissa de que um cavalheiro jamais cometeria falta de forma deliberada, o futebol acabou tendo de atender à crescente intensidade e competitividade do esporte, introduzindo uma medida que ficou conhecida como "o chute da morte". Contudo, até 1902, a penalidade não era cobrada de uma marca específica, mas sim de qualquer ponto ao longo da linha dos 11 metros.

1891: Árbitros entram em cena

O reconhecimento de que o esporte deixara para trás seu cavalheirismo original veio com a introdução do árbitro. Nos primórdios do futebol, controvérsias eram decididas pelos capitães das duas equipes e, mais tarde, por dois delegados — um de cada equipe —, a quem as contestações poderiam ser feitas. Mas a quantidade de impasses aumentou, deixando clara a necessidade por um árbitro imparcial. Assim, a partir de 1891, o poder de apitar penalidades e faltas passou a ser de um único homem.

1912: Restrição aos goleiros

Neste ano se completa um século desde que os goleiros foram proibidos de pegar a bola com as mãos fora da área. Essa mudança surgiu apenas três anos depois de que ficou definido que jogadores da posição deveriam se distinguir visualmente de seus colegas de equipe por meio de um uniforme de outra cor, sendo que verde era o padrão.

1925: Impedimento muda novamente

A lei do impedimento previamente alterada foi ainda mais amenizada em 1925, determinando que um jogador ainda estivesse em condições de jogo desde que dois (e não mais três) adversários estivessem posicionados entre ele e o gol. O resultado foi o crescimento imediato na quantidade de gols marcados. Em 1990, a regra seria alterada mais uma vez em favor dos atacantes, quando se definiu que um jogador também estaria em posição legal se estivesse posicionado na mesma linha de seu penúltimo oponente.

1958: Substituições são autorizadas

Os primeiros registros do esporte incluem menções a "suplentes", mas seu propósito à época seria entrar em ação estritamente quando um dos titulares não comparecesse ao jogo. Entretanto, o impacto negativo das lesões nas partidas acabaria fazendo que as substituições fossem permitidas durante os 90 minutos, ainda que inicialmente isso se aplicasse apenas ao goleiro e a um único jogador de linha. A partir da década de 1960, a regra foi suavizada, permitindo a troca de atletas por questões táticas.

1970: Introdução do cartão vermelho e amarelo

Capitaneado pelo árbitro inglês Ken Aston, então figura influente no Comitê de Arbitragem da FIFA, o sistema de cartões ao estilo "semáforo" tinha o intuito de pôr fim à confusão gerada em jogadores e torcedores quanto às intenções dos juízes. O cartão vermelho e amarelo foi utilizado pela primeira vez em uma Copa do Mundo da FIFA naquele mesmo ano e continuam em uso até os dias de hoje, tendo se expandido inclusive para outras modalidades esportivas.


1992: Proibido pegar bolas recuadas

Outra mudança efetuada para gerar desequilíbrio em favor do setor ofensivo foi à decisão da International Football Association Board, em 1992, de proibir que goleiros pegassem com as mãos as bolas recuadas propositalmente pelos companheiros, quando estes utilizassem os pés. Apesar de ter sido recebida com muito ceticismo em um primeiro momento, a medida hoje é amplamente vista como algo que gerou um impacto positivo na forma de jogar o futebol.

À medida que o futebol evolui, as Regras do Jogo certamente acompanham as mudanças. Nesse sentido, a Força-Tarefa do Futebol 2014, dirigida por Franz Beckenbauer, examina diversas propostas para o aumento da atratividade do futebol e um melhor controle do jogo em competições de ponta. Vale lembrar sempre que, como demonstrado nos casos acima, uma pequena mudança pode surtir um grande efeito.

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Fonte: FIFA.com

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