30 de ago de 2010

ENTREVISTA GRAZIELE CRIZOL


Mulher tem o raciocínio rápido


Não é surpresa o avanço feminino em todos os setores da vida. Nos mais complexos exercícios profissionais elas estão presentes. E, agora, mais do que nunca invadindo a área das arbitragens o que pelo menos há dez anos atrás dava a impressão de que seria uma categoria profissional única e exclusivamente voltada ao sexo masculino. Você a seguir vai ler a entrevista concedida via e-mail por Graziele Crizol, árbitra da Federação Paulista de Futebol, que é formada em Licenciatura Plena em Educação Física - Universidade do Grande ABC, Pós Graduada em Arbitragem Desportiva – Iwl e Pós Graduada em Ginástica Artística – Austin (Texas – USA), e além da FPF é árbitra da CBF, e embora não manifeste na entrevista que tem como grande meta chegar a uma Copa do Mundo Feminina, talvez em função da sua humildade, deixou nas entrelinhas que vai buscar um lugar de destaque para o próximo Mundial da categoria. Entende ela que não há nenhuma diferença para que o homem seja absoluto na área do apito, sendo que a mulher é até mais relevante dado seu raciocínio rápido e por isto dificilmente erra nas suas conclusões.


Num esporte extremamente machista e preconceituoso o que a motivou fazer o curso de árbitra de futebol? Primeiramente a paixão pelo esporte, pois desde pequena acompanhava meu pai nos jogos de futebol amador da cidade. Já na faculdade de Educação Física jogava futebol com freqüência, e foi quando fui assistir uma partida em Santo André no estádio Bruno José Daniel, observei uma mulher bandeirando, e a partir daí me chamou a atenção, e me motivou a fazer o curso. Procurei a árbitra Silvia Regina de Oliveira (ex-árbitra da FPF e da Fifa), que me incentivou e me deu os primeiros toques para o ingresso na profissão.


Você é arbitra ou árbitra assistente? Sou árbitra assistente da Federação Paulista de Futebol e CBF/FEM.


Qual foi o jogo mais importante da sua carreira até o momento? Final da Copa do Brasil Feminina de 2009, entre Santos FC x Botucatu FC.


Pretende apitar jogos de maior magnitude ou entrou no futebol apenas para obter fama. Passa pela sua mente atuar em jogos da Conmebol e da Fifa? Acredito que o reconhecimento seja o resultado de um bom trabalho, e a fama não é meu foco, meu objetivo é fazer bem o meu trabalho dentro de campo. Com relação a Fifa e Conmebol, não aspiro esses jogos, atualmente gostaria muito de atuar na serie A do campeonato Brasileiro.


Em quem você se espelha para atuar como árbitra ou já adquiriu estilo próprio. A maior referência que tenho como arbitro é o italiano Pierluigi Colina, porém acredito que tenho meu jeito de atuar. Outra influência que tive dentro dos gramados foi a árbitra Silvia Regina, atualmente Instrutora de Arbitragem da FPF, CBF e da Fifa, que venceu vários obstáculos para chegar a elite do futebol nacional. Esse exemplo de garra me ajuda muito.


O experimento de dois árbitros adicionais autorizado pela Fifa atrás das metas na sua opinião auxilia a arbitragem a dirimir os lances polêmicos? Eu aprovo essa

experiência, pois acredito que ajudaria e muito a diminuir os erros, e minimizar as polêmicas. Mas não gosto muito da idéia de usar os recursos eletrônicos para ajudar os árbitros dentro de campo, acredito que o espetáculo perderia um pouco da beleza. Penso que os erros dos jogadores deveriam ser tão comentados, quanto as polêmicas criadas em cima da arbitragem.


Qual é a sua opinião sobre a implementação da tecnologia no futebol. Ajuda ou tira o aspecto humano como afirma Joseph Blatter o presidente da Fifa. Concordo com o presidente da Fifa e entendo que a utilização de recursos eletrônicos, não irá deixar o espetáculo mais interessante.


A senhorita aceitaria posar nua se fosse convidada por alguma revista do gênero? Não, de maneira alguma.

É solteira, casada, pretende ter filhos ou está focada única e exclusivamente na sua carreira. Hoje estou focada na minha carreira, e não costumo comentar sobre minha vida pessoal.

FONTE: BLOG - APITO DO BICUDO

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