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3 de dez. de 2010

Violência faz árbitro abandonar o apito

O baiano Zenildo Santos, filiado à Federação Baiana de Futebol, foi agredido duas vezes em competição do futebol amador de Itabuna.

Segundo o Blog Destaque Esportivo, o árbitro de futebol, Zenildo Santos, declarou que deixará de apitar futebol e vai aposentar os cartões em decorrência da violência de que foi vítima este ano nos campos de Itabuna, no interior da Bahia. Segundo Zenildo, a decisão já está valendo para o Campeonato Interbairros deste ano. "A partir de hoje, não vou mais apitar no Interbairros de Itabuna", disse Zenildo chateado com as agressões] sofridas no último dia 21, durante o jogo envolvendo as equipes de Vila Anália e Banco Raso.

Essa não é a primeira vez que Zenildo é agredido por torcedor nesta competição. A primeira foi no campo de Ferradas quando um torcedor entrou no campo de jogo e o atingiu com um chute nas costas.

Domingo (21), foi a vez do jogador Rildo, da equipe do Banco Raso promover mais um ato de insanidade quando agrediu Zenildo com um soco no rosto deixando-o tonto e sem condições de prosseguir na partida. Essa não é a primeira vez que árbitros são agredidos no campo do Núcleo Habitacional da Ceplac, mando de campo da equipe do Banco Raso. Outro episódio se deu no início da competição quando um torcedor agrediu um árbitro assistente. Como o fato não foi relatado pelo árbitro da partida, o fato não teve repercussão.

Zenildo Souza Santos, bastante conhecido no meio esportivo, já conta com mais de vinte anos de arbitragem, é filiado à Federação Baiana de Futebol e foi um dos fundadores da AAFI (Associação dos Árbitros de Futebol de Itabuna), sendo presidente da entidade por três mandatos.

Fonte: Notícias Grapiúnas

Ser juiz de futebol é vocação?

Que sentimento leva uma criatura a se meter em semelhante camisa de 11 varas?

Quem, quando menino, não ouviu, não ouve e não ouvirá esta pergunta indefectível: "Meu filho, o que é que você quer ser na vida?" O leque de sonhos da meninada, pelo menos no meu tempo, era o mais amplo possível. Eu quero ser bombeiro. Eu quero ser jogador de futebol. Eu quero ser pescador. Eu quero ser vaqueiro. Doutor, poucos querem ser, apesar da pressão, às vezes ostensiva, às vezes ardilosa, do pai e da mãe.

No universo do futebol, a preferência recai na linha atacante. Juiz, porém, como está dito acima, não conheço um só caso. Então, pergunto: o que leva uma criatura a decidir se transformar em árbitro de futebol? Será uma vocação catastrófica? Só Deus sabe... Nos tempos modernos, há quem defina, assim, a figura do árbitro de futebol: "O árbitro é o sujeito que rouba o time da gente na presença da multidão e ainda vai pra casa protegido pela polícia".

Conto a vocês uma história que ilustra bem o calvário que tem sido, ao longo do tempo, a vida do juiz de futebol.

Aconteceu numa cidadezinha do interior da Bahia, ali pelos anos 40. Era uma partida entre o anfitrião Iracema F.C. e o Modesto F.C.. O delegado Fontenele foi ao vestiário do juiz antes de começar o jogo.

- Estou aqui - disse o policial - pra uma visita de cortesia, mas também pra lhe dar garantias de vida - disse, explicando que falava na condição de delegado da cidade.

- O senhor não é daqui, mas sabe como é o futebol: o time visitante, aqui, não pode vencer, nunca. A única vez em que isso aconteceu, me lembro como se fosse hoje: a torcida invadiu o campo, deu nos visitantes, quase mata o juiz.

- Seja o que Deus quiser - disse o árbitro ao delegado, que reagiu assim:

- Seja o que Deus quiser, não; não vamos meter Deus nesse jogo porque não dá certo. É melhor dizer: seja o que o Iracema quiser...

O zero a zero não convinha ao anfitrião, que perderia a taça oferecida pelo prefeito. Quarenta minutos do segundo tempo, nada de gol; ou melhor, nada de chegar o gol encomendado pelo delgado Fontenele, em nome da paz coletiva.

O juiz olhou o cronômetro: o alambrado era o próprio público, que, na sua explosiva impaciência, vinha fechando o cerco, mal deixando espaço para o vaivém dos bandeirinhas.

Não conversou. Passando pelo ponta-de-lança, o juiz deu uma dica: no primeiro abafa, pode cair na área, espalhafatosamente. Foi o que fez o jogador.

Pênalti contra o Modesto F.C., que é o visitante.

Protesta daqui, reclama dali, bola na marca, lá vem para a cobrança Castanheira, o artilheiro e, popularmente, dono do time.

E Castanheira, com um tremendo coice, chuta a bola às nuvens. Desespero no público, desespero no campo. Faltando três minutos, como é que vai acontecer um desastre desse?

Enfim, se havia ainda três minutos de jogo, nem tudo estava perdido. Era só cair outro na área do Modesto que o juiz não hesitaria em aplicar aos faltosos o castigo que a lei determina. Tempo para a cobrança não é problema porque a regra é clara: o pênalti é a única falta que pode ser cobrada além do tempo regulamentar. O juiz deve prorrogar indefinidamente o jogo até que o pênalti seja cobrado. Portanto...

Pênalti contra o Modesto F.C..

Jogadores afastados da grande área. Quem ajeita a bola pra cobrança? Castanheira, artilheiro do time, ídolo da cidade e a quem os próprios colegas, numa prova de solidariedade, haviam escalado para chutar o pênalti e se reabilitar do fracasso anterior.

Quando o juiz percebeu que o homem do pênalti seria o Castanheira, foi ao encontro dele, tomou-lhe discretamente a bola das mãos e, quase cochichando, sentenciou:

- Me desculpe, mas você, não. Você vai acabar me matando aqui!

Perguntou quem era o ponta-esquerda, entregou a bola e mandou o outro cobrar o pênalti. Tomou posição, apitou e repetiu mentalmente a frase-oração:

- Seja o que Deus quiser!

E Deus quis: Iracema 1 a 0.

Nota: texto do  jornalista   Arrmando Nogueira - Revista Lance A+, levanta a questão.

Foto: Herbe Roberto Lopes

2 de dez. de 2010

A personalidade de um árbitro de futebol

Todo o árbitro (regra 05) de futebol têm de aprender a lidar com várias mudanças ao longo de sua carreira.

Um bom árbitro de futebol tem que aprender, acima de tudo, a impor sua personalidade dentro do solo sagrado (campo de jogo - regra 01), independente das situações em que a partida vai ser jogada.

Também deve saber, na ponta da língua, cada ponto, cada vírgula, cada palavra e cada parágrafo que compõem a Carta Magna do futebol (as 17 regras), ter um ótimo preparo físico e concluir o terrível teste FIFA. Porém, nada disso será de valia se não consegue aplicá-las com destreza dentro do campo de jogo.

A personalidade é muito importante dentro da arbitragem de futebol. O árbitro tem que ser ele mesmo, manter sempre a calma e o equilíbrio, pois os jogadores, treinadores, dirigentes e torcedores sempre saberão distinguir quando um árbitro está se passando por alguém que não é, isso causará terríveis danos ao seu desempenho durante a partida.

Na mente de muitos árbitros passa a sensação que já se estabeleceram como árbitro de ponta, porém devem lembrar que isso é apenas uma sensação. Na verdade, isso é o início de um longo e difícil caminho até o topo da carreira. Nesta caminhada, nunca imagine que é tão bom como Collina (árbitro italiano considerado por muitos como um dos melhores de todos os tempos), e sim aprenda com o seu talento e com sua dinâmica de atuar e, principalmente aplique as regras através do espírito do jogo, ou seja: nunca beneficiar o infrator.

O que faz Collina ser um árbitro de ponta e a sua maneira pessoal de lidar com a lei do jogo, pois é um líder natural e tem um visão extremamente positiva da vida, isso reflete quando comete erros ocasionais, pois como todo humano, isso é concebido, é de sua natureza, em seu caso estes erros são respeitados, pois é um líder nato, não um ditador querendo ser o dono da verdade.

O árbitro tem de ter ambição em sua carreira e perceber que para chegar ao topo deve trabalhar e reciclar sempre os seus conhecimentos, dividir com os companheiros informações e experiências vividas dentro e fora do campo de jogo, e, isso é uma maneira de ganhar a confiança e respeito dos demais árbitros.

Para finalizar este artigo, deixo uma frase do grande árbitro francês, Michel Vautrot, que arbitrou simplesmente duas finais de Copa do Mundo: "Deixem a vossa personalidade falar por vós ou jamais terão sucesso".

Por Valter Ferreira Mariano

Foto: IFFHS : Michel Vautrot (France), Jean Norbert Fraiponts (Belgica)



30 de nov. de 2010

Regras de Fair Play

Os 10 mandamentos do árbitro português




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Para ser um bom árbitro, não basta ser conhecedor do espírito das Leis do Jogo.


É necessário que o profissional seja também uma pessoa educada e humilde, sem arrogância nem timidez, e que obedeça aos padrões da boa educação e do civismo. A partir desta consideração, o Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol elaborou o documento "Recomendação de normas de comportamento dos árbitros de futebol e de futsal", que, inclusive contém um decálogo comportamental a ser seguido pelos homens do apito lusitanos, um documento que deve andar sempre com o árbitro.


Confira as orientações da FPF.


1- I NTRODUÇÃO

O Futebol evoluiu consideravelmente nos últimos anos e a competitividadedas das provas aumentou. Dois elementos são indispensáveis à saúde do futebol: o nível do futebol no terreno de jogo e o comportamento dos jogadores, dos árbitros, dos treinadores e dos dirigentes.
Sempre que os árbitros falham e os jogadores recorrem a simulação de faltas, lesões ou outros expedientes dilatórios, que pessoas duvidam da integridade do árbitro ou que adeptos incitam à violência e perturbam os jogos, a imagem do futebol que fica prejudicada.

No âmbito de uma reflexão permanente sobre os sistemas de ensino utilizados para a
formação de um Árbitro de futebol, durante os cursos de árbitros temos vindo a colocar
desafios pedagógicos no sentido de desenvolver normas de comport amento.

O nosso objectivo com este documento de reflexão é continuar a proporcionar um
espaço de reflexão sobre normas de comportamento e dar o apito inicial para a criação
de um modelo aplicável a todos os árbitros de futebol.

Assim, para o conseguirmos, procuraremos reunir os conhecimentos da experiência com
os da teoria científica.

O que é a Moral?

É o conjunto de faculdades de espírito respeitante ao plano ou foro interno e ao respeito
humano.


A Ética


ÉTI CA é a ciência que estuda a moral e os bons costumes. É uma parte da Filosofia que
trata da moral e das obrigações do Homem. Não considera o homem sozinho consigo
mesmo, mas considera também os seus actos ao entrar em interacção com os que o
rodeiam. Não pretendemos ser normativos nem legislar um semelhante tema. Simplesmente
apresentamos elementos que ajudem a conhecer, a pensar, a medir para alcançar a meta
desejada. Desejamos ter bons árbitros, nas vertentes técnica e comportamental.



2 - QUALI DADES HUMANAS E RELACIONAIS DO BOM ÁRBITRO:


Personalidade

É o conjunto das posições, impulsos, desejos, tendências instintivas e biológicas juntamente com todos os conhecimentos adquiridos através da vida.

Aptidões Morais

A honestidade é a compostura, decência e moderação, da pessoa, das suas acções e palavras.
É a condição básica para aspirar converter-se num grande árbitro. Sem ela não pode haver equidade, objectividade, imparcialidade, e por fim justiça. O conjunto de aptidões morais baseadas na honestidade é o que forja a conduta ética
imprescindível para cada contacto, cada relação, um qualquer momento.

Consideramos que o árbitro enquanto ser humano deve ser honesto consigo mesmo, com os que dirige, com os seus companheiros, com toda a sociedade. Honesto consigo mesmo: a partir de uma sincera autocrítica, sabendo ouvir, admitindo os seus erros e tentando corrigi-los.
Honesto com os que dirige: no tratamento respeitoso e na função. Na imparcialidade e serenidade necessárias para resolver problemas. Com equilíbrio no procedimento e justiça na acção.

Exercício da autoridade

A autoridade, não deve impor-se mas sim ganhar-se, através das aptidões pessoais de
cada indivíduo. Deste modo o árbitro recebe o seu poder da própria Lei do Jogo, e obtém a sua fiabilidade através da designação, do Organismo competente. Sancionar uma falta não significa humilhar, mas sim ensinar o que se deve fazer.

Avaliação e Decisão

Avaliar não é meramente observar. Avaliar é entender tudo o que rodeia a acção um
determinado momento. Não é olhar fixamente a bola mas sim as pernas em disputa com ela, sentir a envolvente para melhor julgar.

Controle Emocional

É uma aptidão essencial para julgar com equidade, sem descontrole, que costuma levar a cometer injustiças difíceis de analisar, porque o coração dominou a mente. O controle emocional deve ser um objectivo permanente de toda a actividade do árbitro em cada minuto da partida, bem como o EQUILÍ BRI O para desenvolver o verdadeiro exercício da autoridade conferida.

Humildade

É a virtude consistente do reconhecimento da própria dimensão; é despojar-se de actos de vaidade e de autoritarismo.

Respeito

O árbitro deverá saber ler o comportamento dos jogadores para poder intervir pronta e
eficazmente e controlar a situação, de modo cortês e pedagógico.

Conhecimento da Lei

O árbitro não é um líder eleito pelos intervenientes no jogo, mas sim representante do Órgão Federativo. Por isso deve impor-se naturalmente pelo saber, pelo comportamento e pelo juízo das situações de acordo com os regulamentos.

Tratamento adequado da Disciplina e da Ordem

Isto não é mais do que a oportunidade de aplicação dos diferentes passos disciplinares:
admoestação, advertência, expulsão. Estes três elementos representam, como as luzes de um semáforo, o verde da prevenção, o amarelo da repreensão e o vermelho da exclusão do sistema ordenado em que se deve desenvolver um encontro de futebol.

O árbitro lidera legitimamente, pela lei e pela autoridade conferida e a aceitação dessa
autoridade atinge-se através da credibilidade. Só desenvolvendo intensamente, com convicção os valores enunciados - latentes e comuns a si mesmo - impondo ele próprio o seu estilo pessoal, a autoridade emergirá, sadia, limpa e absolutamente credível.

Tal como expressamos na introdução, não pretendemos dar receitas mágicas, nem um código normativo; daremos sim, alguns elementos, valores necessários para conseguirem uma maior credibilidade.



3 - PRINCIPIOS ÉTICOS


A integridade da arbitragem reside na integridade de normas de comportamento individual de cada árbitro ou agente da arbitragem.


Justiça e imparcialidade - os árbitros devem estar livres de obrigações com quaisquer outros interesses que não o do julgamento dos jogos que arbitra. As decisões  influenciadas por preconceitos pessoais são desonestas e inaceitáveis. Os árbitros devem estar conscientes que qualquer coisa que possa conduzir a conflito de interesses, real ou aparente, deve ser evitado.

Dignidade e cortesia - Os árbitros devem tratar os seus colegas e outros agentes desportivos com respeito, reconhecendo como imprópria a crítica pública dos mesmos.

Seriedade e honestidade - Os árbitros devem procurar eliminar da actividade desportiva as práticas que desacreditam a arbitragem.

Responsabilidade - De agir com rigor no desempenho das suas funções.



4 - CÓDI GO DE NORMAS DE COMPORTAMENTO



I - Demonstrar respeito através de palavras e actos, para com os colegas Árbitros, Técnicos, Jogadores, Dirigentes, Médicos, Massagistas e Adeptos.

I I - Recusar a intimidação e a simulação de faltas ou lesões.

I I I - Defender a arbitragem e o futebol contra o racismo, a violência, a corrupção e os abusos.

I V- Respeitar as Regras, as Leis do Jogo, os Regulament os, as Instruções de Fair-Play, etc.

V- Aceitar as classificações com dignidade.

VI - Procurar sempre os melhores desempenhos e comportamentos.

VI I - Partilhar os conhecimentos de modo a desenvolver a arbitragem.

VI I I - Aceitar a responsabilidade dos actos.

I X- Ter consciência das consequências de uma linguagem emocional e de um comportamento negativo.

X- Encorajar uma arbitragem técnica, correcta, sem incidentes e honesta.



Federação Portuguesa de Futebol - Conselho de Arbitragem
Fonte: Referee Tip

24 de nov. de 2010

Stress, isso derruba o árbitro!

O árbitro de futebol é um ser humano como qualquer outro, sujeito a todas as situações que uma pessoa pode passar e ter todos os problemas, do financeiro ao de saúde.

O stress é um problema de saúde mais comum entre os árbitros de futebol, provocado por inúmeros fatores relacionados a arbitragem. São fatores externos e internos relacionados com a partida que irá atuar.

O árbitro sofre com a ansiedade como qualquer outra pessoa. Mas algunsescondem esta ansiedade dentro de uma falsa tranqüilidade, rejeitando qualquer tipo de relaxamento mental e físico. Mas, com essa atitude, simplesmente estão colocando mais lenha na fogueira, aumentando a pressão em seu estado emocional e colocando a sua atuação em risco, podendo prejudicar o bom andamento da partida.

Podemos numerar vários fatores que contribuem para este estado de stress. Iniciamos com medo, medo de não errar principalmente num lance capital, que possa alterar o resultado da partida. Este medo vem da falta de confiança no espírito de aplicar as regras, não por não conhece-las, mas de errar ao aplicá-las.

Esta falta de confiança pode ser ampliada quando observa um erro do seu assistente, e passa a duvidar da credibilidade de futuras ações do mesmo. Isso é ruim, pois a partir deste instante ele imagina estar sozinho na partida, sem ningém a quem possa recorrer.

A preocupação com sua forma física é outro fator que incomoda o bom desempenho do árbitro. Um péssimo condicionamento físico reflete o descaso do árbitro para com sua profissão e compromete o andamento da partida, colocando sempre em dúvida o que esta marcando, pois sempre estará longe do lance. Também terá sempre um foco de visão muito prejudicado, aumentando a possibilidade de um erro capital que poderá mudar o resultado final da partida.

Nervosismo excessivo e dormir mal na noite anterior da partida são outros fatores que soma para o stress do árbitro.

A torcida é um fator que todos os árbitros não dão conta de sua importância e influência dentro da partida. Esta importância e influência pode ser verificada quando o árbitro marca um falta e em seguida recebe uma sonora vaia, em sua mente cria-se a dúvida, “marquei certo ou não”. Esta dúvida não pode existir, pois deve saber que a torcida sempre ver o lance com o coração e nunca com a razão.

Os árbitros em geral têm grande dificuldade em lidar com a crítica sempre destrutiva e ofença vindo dos atletas, técnicos, dirigentes, imprensa e torcedores. Ela se torna no principal motivo de abandono da carreira. Isso é mais comum nos árbitros mais jovens, que apresentam um índice de abandono maior que os experientes.

A capacidade de reagir a tais situações, de analisar seus erros, de ter uma preparação física mais adequada e de desenvolver sua técnica de arbitrar não são suficientes, segundo os conhecedores da matéria. É de vital importância que o árbitro tenha no sangue o prazer e a satisfação de estar dentro de campo apintado uma partida de futebol como sendo a sua mais importante, isso é simplesmente sua aptidão para ser um árbitro de futebol.

Por Valter Ferreira Mariano

10 de nov. de 2010

24 horas da partida

As 24 horas que antecede a partida, são de vital importância para o árbitro de futebol. Neste período todos os cuidados deverão ser tomados, como uma boa noite de sono. Baladas! Nem em sonho, muito menos ingerir bebidas alcoólicas. Se fumar, deve diminuir a quantidade de cigarros, o ideal é não fumar.

Ter em mente que todos os cuidados foram tomados, garante ao árbitro a certeza que a sua arbitragem será ótima. O seu desempenho físico e mental passará à todos que é conhecedor do espírito das 17 Regras, aplicando-as próximo do lance e com total nitidez, inibirá qualquer tipo de reclamação, passando a ser respeitado e ganhando a confiança dos jogadores. Por outro lado, o árbitro que não deu a devida importância à noite anterior, será castigado pelo seu corpo e mente, onde a fadiga e o raciocínio lento prejudicarão a partida, sem contar o mau hálito causado pelo consumo da bebida alcoólica.

No dia da partida, o árbitro deve fazer uma alimentação com alimentos de forte poder nutritivo, a alimentação à base de saladas é aconselhável (consultar um nutricionista) para quem em poucos momentos depois terá que empregar suas energias sem a menor reserva. Beber apenas água, já que qualquer bebida alcoólica proporciona energias apenas momentâneas, que logo se convertem em forças diminuídas.

O árbitro deve ter-se alimentado pelo menos duas horas antes do jogo. O estômago em pleno processo de digestão entorpecerá seu trabalho, sentir-se-à pesado, as idéias chegarão ao cérebro tardias e confusas. Na arbitragem a rapidez de raciocínio fará a diferença entre a boa e a má atuação do árbitro.

O verdadeiro árbitro profissional busca na ciência formas de lapidar sua nobre função. Buscar o apoio de um nutricionista é uma delas.

Por Valter Ferreira Mariano

26 de out. de 2010

O inimigo da paixão!

Ao entrar no solo sagrado, o árbitro percebe o tanto que é admirado. Uma admiração não agradável, uma admiração vinda da desconfiança, por considerá-lo inimigo da sua paixão, inimigo do seu time de coração.

Na verdade todos aqueles que estão fora do universo da arbitragem de futebol não tem consciência do que falam sobre os árbitros, críticas sem fundamentos, destrutivas e malignas, pois estes não possuem o espírito do jogo e sim o espírito da paixão, e paixão não combina com a razão.

Todavia este outro universo de pessoas não podem imaginar as dificuldades que um árbitro de futebol tem para desenvolver sua função. Estas dificuldades tem início ao comparamos o tanto que ele deve correr atrás da bola, porém não pode toca-la, num espaço que varia de 90 a 120 metros de comprimento por 45 a 90 metros de largura, devendo estar sempre bem próximo do lance, sem interrupção em sua corrida, sem descanso, podendo ao final do jogo ter percorrido mais de 14 quilômetros.

Uma outra dificuldade que o árbitro encontra principalmente dentro do campo de jogo é a falta do conhecimento das Regras por parte jogadores e treinadores, isso é uma pedra no caminho do bom andamento da partida, pois uma simples marcação de falta é motivo para divergência entre o árbitro e jogadores, e estes sempre querem ter razão ao ponto que quando entrevistados não medem palavras para falar mal da arbitragem.

O árbitro vive constantemente vigiado pelos olhos frios das câmeras de televisão. Sobre os olhares de desprezos dos torcedores. Dos olhares dos jogadores e treinadores que sempre o focam como inimigo. Da falta de tolerância e de compreensão quando um erro é cometido, erro este humano. Até mesmo quando do acerto passa não ser acerto, pois todos o julgam pelo coração e não pela razão, ou simplesmente no caso da imprensa para obter mais IBOPE.

O árbitro passa toda a sua carreira carregando a imagem de “ladrão”, inimigo da paixão do torcedor, não importa onde vai apitar, ao entrar em campo será logo ovacionado com este “título” e esta dificuldade ele deve tirar de letra, pois ele sabe que seu conhecimento das Regras o transforma em pessoa diferenciada, o transforma em árbitro de futebol.

Por Valter Ferreira Mariano

7 de out. de 2010

Os pontos do sucesso do árbitro de futebol


Para ser torna um árbitro (regra 05) de primeira categoria, sua jornada dentro do universo da arbitragem de futebol deverá ser regada pela sua capacidade de ser feliz, esta capacidade terá três ponto a serem vividos ao longo de sua carreira bem como na sua própria existência.

Assim definimos que o primeiro ponto a ser regado será a responsabilidade de assumir plenamente as conquistas almejadas. Nada de ficar esperando a oportunidade cair do céu. Aceitar plenamente sua responsabilidade de conduzir e organizar suas ações e ter a consciência que a arbitragem requer o empenho incondicional em nome da nobre função. O bom relacionamento com os companheiros de profissão, com os amigos em geral, com os companheiros e chefe no trabalho e principalmente com os entes da família, consistirá em uma auto-estima saudável

O segundo ponto a ser regado será a essência de ser uma pessoa verdadeira. Querer viver uma vida diferente e sentir que é outra pessoa será um engano. É a denúncia que rejeita a si própria. Esta rejeição ocultará sua própria identidade e resultará na maquiagem dos problemas a serem enfrentados. A sua transparência e a coragem de viver sua própria vida e, deixar que todo o veja você estará reconhecendo os seus valores.

A sabedoria de dividir as conquistas com os demais companheiros será a contribuição para o fortalecimento das capacidades e este será o terceiro ponto a ser regado. O árbitro deverá ter o pleno conhecimento que esta divisão será necessária e quando isso não ocorrer, será egoísmo, o medo de perder o que conquistou. Todavia esta divisão deverá ser com pessoas que demonstra confiabilidade de recepção e não com aquelas que se sentem por de baixo, cheio de magoa no seu coração, estas pessoas demonstra uma auto-estima negativa e desmotiva aqueles que querem seguir a frente.

Estabelecer estes pontos dentro do universo da arbitragem permitirá ao árbitro uma preparação mais eficaz durante sua carreira. Estes permitiram a ele a organizar sua vida dentro e fora do solo sagrado (campo de futebol – regra 01), valorizando suas ações para saciar seus anseios dentro da nobre função e, auxilia na escolha dos critérios a ser utilizados. Respeitar cada etapa deste planejamento impedirá uma possível frustração e lhe proporcionará os meios para obter o pleno sucesso no universo da arbitragem e na vida pessoal.

Por Valter Ferreira Mariano
Fonte Imagem: blog NINGUÉM MERECE SER 3G!!!

5 de out. de 2010

Bandeirinha se fosse bom, séria árbitro!


Adicionar legenda
A frase - “bandeirinha se fosse bom, séria árbitro!” – Na realidade esta frase não condiz com que determina a regra 06, na qual contém a função do árbitro assistente, o chamado bandeirinha.

Para ser um bom árbitro assistente ( regra 06) não basta ter o texto da regra 11 gravado em mente e necessário ter sempre suas sinalizações oportunas, claras e com firmeza.

Numa situação de fora de jogo ou seja de impedimento, deve lembrar que o fato de se encontrar nesta posição não implica em infração, portanto, não deve levantar seu instrumento de trabalho com precipitação, para não dar como irregular uma jogada regular, e assim, não estragar uma situação manifesta de gol.

A demonstração de insegurança reflete em seu trabalho, ela pode ser vista na sinalização não clara, quando o instrumento é levantado e baixado rapidamente ou quando é levantado e no meio do caminho resolve abaixa-lo, deixando dúvida ao árbitro e aos jogadores. O árbitro assistente deve esta focado, tranqüilo, concentrado e totalmente seguro do que esta fazendo.

As sinalizações não poderão ser tardias ao ponto do árbitro demorar para sanciona-las. Isso também é um foco de insegurança, medo de errar, mostra que ainda não esta pronto ou não tem aptidão para desempenhar a função.

A condição física é muito importante para realizar com sucesso suas atribuições dentro da partida. Sua capacidade de arranque, velocidade acoplada com a visão do lance será imprescindível quando sua intervenção for necessária.

O penúltimo defensor deve ser imagem constante em sua visão. Pois é um fator que determina a posição de impedimento (regra 11). Assim sempre terá suas intervenções de sinalizações de impedimento acertadas.

Mostrar a eficácia nas suas sinalizações, uma ótima cooperação com o árbitro, mostrar que o espírito do jogo esta presente nas suas intervenções, bom condicionamento físico e um alto estágio de concentração, fará que a frase do primeiro parágrafo não passa de um pobre refrão, utilizado para obter IBOPE, para atrair atenção do telespectador.

Por Valter Ferreira Mariano
 

4 de out. de 2010

Federação Paulista Futebol apresenta novidades para temporada 2011

04/10/2010 - Com o início da pré-temporada da arbitragem se aproximando, o presidente da Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol – CEAF, Coronel Marcos Cabral Marinho de Moura, divulgou nesta terça-feira as novidades da arbitragem para a temporada 2011 de competições organizadas pela Federação Paulista de Futebol.
Uma das principais mudanças é em relação ao número de árbitros e assistentes que poderão compor o quadro de arbitragem do Campeonato Paulista. Neste ano, serão cerca de 60 árbitros e 70 assistentes em treinamento para os jogos do Campeonato Paulista da Série A1, quase o dobro da pré-temporada 2010. Isso porque a FPF irá implementar em seus jogos o posicionamento de dois árbitros adicionais em cada jogo, que ficarão junto às linhas de fundo para ajudar na marcação e validação de lances.

Outra mudança importante diz respeito ao ranking de arbitragem. As antigas categorias ouro, prata e bronze serão substituídas por cinco novas categorias, que visam um crescimento do número de árbitros capacitados para atuar na Série A1, além de proporcionar aos árbitros e assistentes a possibilidade de um plano de carreira melhor estruturado, com uma chance maior de aproveitar talentos. “Será possível aprimorar a capacidade dos árbitros e assistentes, permitindo uma ascensão mais rápida à categoria principal, desde que se respeitem os limites e regras de cada categoria”, explicou Marinho.

De acordo com o Regulamento Geral da Arbitragem, árbitros da Categoria 5 serão considerados aqueles aprovados pela Escola de Árbitros Flávio Iazzetti, que tenham realizado em sua formação ao menos dez partidas nas categorias Sub 11 e Sub 13. Já árbitros da Categoria 4 terão o limite de idade de ingresso de 32 anos, além de experiência prévia de dois anos ininterruptos em partidas da FPF, tendo atuado em ao menos 15 partidas, e atuarão em categorias de base e partidas amadoras. Estes árbitros poderão ser promovidos à Categoria 3, que será formada por árbitros com idade de ingresso de até 35 anos, com três anos ininterruptos de experiência prévia em ao menos 20 partidas amadoras da FPF, e atuarão preferencialmente em partidas da Segunda Divisão e da Copa Paulista de Futebol.

Árbitros de Categoria 2 serão aqueles com idade de ingresso de até 35 anos, que tenham experiência de cinco anos ininterruptos de serviços na FPF e tenham atuado em ao menos 30 partidas profissionais. Estes profissionais atuarão preferencialmente nos jogos das Séries A2 e A3 e em competições de categorias equivalentes. Por fim, os árbitros de Categoria 1 serão formados por profissionais mais experientes, com um mínimo de 40 partidas em jogos profissionais e cinco anos ininterruptos de experiência na prestação de serviços na FPF, com idade de ingresso limite de 38 anos. Estes serão selecionados para atuar na Série A1.

Por meio de constantes avaliações e treinamentos, os árbitros poderão ser promovidos de nível sempre que atingirem os padrões exigidos pela CEAF e caso haja vagas disponíveis para a categoria superior. “É claro que nenhum árbitro ou assistente poderá passar de uma categoria para outra superior pulando uma etapa. Todos passarão por avaliações e serão observados para subir ou descer de nível. Para isso contaremos com testes físicos, técnicos, psicológicos, entre outros que adotamos durante todo o ano para monitorar o desempenho dos árbitros”, avaliou Marinho.

Ainda de acordo com o presidente da CEAF, é possível que os trios fixos de árbitro e árbitros assistentes sejam mantidos na primeira fase do Campeonato Paulista da Série A1 de 2011, mas o sistema deve mudar para as fases decisivas. “Iremos avaliar e selecionar os melhores profissionais para as fases decisivas, então os trios poderão ser desfeitos. É importante que os árbitros e assistentes mais capacitados estejam presentes nas decisões, para que o Campeonato tenha uma qualidade cada vez melhor”, concluiu.

Fonte: Talita de Moraes - FPF

30 de set. de 2010

OS GRÃOS DA MOTIVAÇÃO

A tendência na arbitragem, nos dias de hoje, é sem duvida a busca pela valorização do fator humano. A esta valorização esta focada na capacidade do árbitro (regra 05) a lidar e enfrentar as adversidades dentro e fora do campo de jogo.

O árbitro de futebol é um ser humano comum. E sendo um ser humano a sua natureza é muito complexa. Ao entrarmos nesta complexidade, constatamos a diferença entre árbitro top de linha e um árbitro comum, um árbitro cheio de felicidade e um totalmente infeliz.

Ao observamos este contexto, podemos dizer que os árbitros comuns têm algo em comum entre eles, ou seja, uma falta de motivação, e isso geral uma queda na qualidade de suas arbitragens. Perguntamos afinal o que motiva o árbitro de futebol?

Essa motivação é um processo único, de cada indivíduo. Concepção da evolução humana. O impulso de sonhar e desejar algo maior, uma posição de destaque perante os demais árbitros, status junto à imprensa e ser o referencial para mais novos.

Podemos configurar uma receita para o sucesso utilizando pequenos grãos de área, sempre dependendo, é claro, do ângulo de visão de cada um.

Iniciamos então nossa receita com a quantidade do grão da dedicação que o árbitro coloca em sua carreira. Sendo essa quantidade pequena o resultado da sua performance será pequena, pois o tempo dedicado as regras do jogo, sua preparação física e o dialogo para trocar informações com seus companheiros serão insuficiente para superar qualquer tipo de dificuldade que venha encontrar numa partida de futebol.

Continuando com a receita chegamos ao grão do esforço. Este grão é uma espécie de fermento, será ele que fará a carreira do árbitro crescer. O emprego de suas forças para alcançar todos os seus objetivos dentro da arbitragem parte sempre deste fermento, pois não há vitória e muito menos árbitro top sem esforço.

Para finalizar nossa receita temos o grão da qualidade das ações do árbitro dentro e fora do solo sagrado (campo de jogo – regra 01). Esta qualidade não é nada mais que a cobertura da sua imagem. São ações referentes ao seu cotidiano junto aos seus companheiros de profissão, ao circulo de amizade e conhecidos, principalmente junto à instituição mais valiosa que possui sua família.

A maioria das pessoas é sonhadora. Elas são motivadas pela possibilidade de ver seus sonhos realizados. Então seus sonhos é o combustível de suas vidas. O árbitro de futebol que não sonha em ser um árbitro FIFA não passa de um simples árbitro, não tem motivação para apitar uma partida de futebol como se ela fosse à final de uma Copa do Mundo.

Por Valter Ferreira Mariano