O que é pior? Duas bolas em campo na hora que sai o gol ou o árbitro que não conhece regras e valida uma suposta “tabelinha” entre as redondas?
Por incrível que possa parecer, isso aconteceu duplamente na partida Sunderland X Liverpool, pela Premier League, neste final de semana! Na oportunidade, na hora em que o goleiro do Liverpool defenderia um chute a gol, uma segunda bola foi jogada em campo; esta bateu na bola que iria ser defendida, desviou-a e entrou na meta! Detalhe: o árbitro, erroneamente, não considerou a bola como um corpo estranho mas como um corpo neutro, e validou o gol. Erro grosseiro…
Veja o lance, clicando em: http://videos.sapo.pt/ZMR90G6sOSljv5FV9jFH
Na imagem da primeira câmera, você nem percebe a segunda bola; mas nos outros dois ângulos, você se assusta com o desconhecimento da Regra do Jogo por parte do quarteto de arbitragem!
Fonte: blog do professor Rafael Porcari
Blog voltado para divulgação das 17 regras da Carta Magna do Futebol
19 de out. de 2009
13 de out. de 2009
O QUE VENHA A SER FAIR PLAY?

Durante os jogos da Copa do Mundo, muito se ouviu falar de certo fair play, e, pergunto a você: O que é este tal de fair play?
O fair play é simplesmente jogo limpo. Tem sua origem na sociedade aristocrática européia, e foi muito difundido pelo Barão Pierre de Coubertin idealizador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna.
O conceito de jogar limpo representa a essência de qualquer esporte. O futebol como o principal esporte praticado no mundo não pode ficar sem esta essência, pois ela representa valores como à honra e a lealdade, o respeito pelos adversários e pela arbitragem, pelos companheiros e por si próprio.
O respeito total pelas regras, princípios e códigos de conduta, obedecendo ao principio da justiça e renunciando a vantagem ilícita. Assim o futebol seria como uma "escola de cidadania", ensejando a oportunidade de aprender que o sucesso é obtido não apenas através do desejo e da perseverança, mas também que é consagrado unicamente através da honestidade e da justiça.
Os praticantes têm possuir alma alva, lavada com o fair play. O futebol exige, no mínimo, que os praticantes joguem com respeito total e constante pelas regras, nunca devem esquecer de que os árbitros têm mais experiência e uma visão muito melhor de que está acontecendo dentro do jogo. Como os jogadores, os árbitros farão erros do tempo ao tempo. Estes devem ser aceites. Sem um árbitro não há nenhum jogo de futebol. Seus esforços devem ser respeitados e problemas ser compreendidos.
Cada jogo bom necessita um adversário bom. Mesmo o adversário mais afiado não é um inimigo. O futebol não é guerra. Ninguém aprecia perder, mas a derrota deve ser aceita como apreciação para a habilidade e o espírito do adversário. Aqueles que perdem hoje podem ser o ganhadores do amanhã.
O fair play exige que nenhum adversário deva ser humilhado ou abusado por razões raciais, étnicas ou religiosas. O futebol é o desempenho e a participação do jogador, não faz discriminação a respeito das origens de seus praticantes.
O fair play é fundido no calor da amizade, do respeito pelo outro e do espírito esportivo. Representa um modo de pensar e agir. Ele não aceita o uso da astúcia e artifícios nem subterfúgios para obter o sucesso, o anti jogo, o doping, a violência (tanto física quanto verbal), a desigualdade de oportunidades e a corrupção.
Os esportistas em geral devem ter em mente que sempre haverá um outro dia a jogar e competir.
6 de out. de 2009
Paradinha nos pênaltis com dias contados
"Blatter diz que a paradinha é irregular e está com os dias contados, chama artifício de "jogo sujo" e espera punição dos árbitros com o cartão amarelo"A paradinha, que voltou a ser moda nos gramados brasileiros este ano, está com os dias contados. Após a reunião do conselho executivo da Fifa, no Rio de Janeiro, o presidente Joseph Blatter foi claro e incisivo ao dizer que o artifício de o jogador interromper o movimento na hora da cobrança de pênalti é ilegal e deve ser punido com cartão amarelo pelos árbitros.
O dirigente garantiu que o tema está em pauta em uma reunião da International Board, órgão que regulamenta as regras do futebol, no dia 20 de Outubro, em Zurique, na Suíça, e que depois vai ser emitida uma nota para todas as federações nacionais para que não aconteçam mais dúvidas ou interpretações sobre o caso. Joseph Blatter considera a paradinha uma infração à regra do futebol.
- Isso não é justo. É uma infração, e o árbitro deve punir com o cartão amarelo. Se o jogador repetir, precisa ser expulso. Não é justo, é uma trapaça e precisa acabar - disse.
O suíço Joseph Blatter espera que a partir de Novembro, após todas as federações receberem o documento da International Board, a paradinha pare de ser usada em todo o mundo na hora da cobrança do pênalti. O dirigente considera o artifício um "jogo sujo" mais grave que a simulação de um pênalti.
- Sempre fui atacante. Há 50 anos, quando jogava, já tinha isso do atacante quando não consegue passar pelo defensor dar um mergulho, de tentar cavar o pênalti. Não é correto e o juiz pode e deve punir. Mas pode dar o cartão amarelo só na segunda vez que o jogador fazer isso. Já a paradinha não é justa e deve ser punida logo na primeira vez - disse.
Blatter admitiu que em alguns momentos a regra do futebol passa a ser interpretada de forma incorreta em certas partes do mundo. E, neste momento, a Fifa e a International Board precisam agir. O dirigente citou outros exemplos, como a mão na bola na área sem ser intencional, que chegou a ser punida com o cartão vermelho, e casos de racismo em que árbitros interrompiam imediatamente a partida - o dirigente também não é favorável a essas medidas.
- A International Board precisa unificar isso com todas as federações e não ter margem a interpretações. O futebol é o esporte mais popular do mundo porque a regra mudou muito pouco ao longo dos anos. E o futebol precisa ter uma única regra. Temos que parar com a paradinha. Ela não é correta – disse Blatter.
25 de set. de 2009
Olho frio da câmera de televisão

Quando era torcedor fanático, não dava a mínima importância ao ser humano, árbitro de futebol (regra 05), pra mim, esta figura não passava de um inimigo, inimigo minha paixão, do meu time do coração, principalmente quando este marcava uma falta ou até mesmo um pênalti, pra não falar do pobre bandeirinha (árbitro assistente – regra 06), que ao assinalar corretamente um impedimento, ouvia da minha língua aguçada e venenosa um show de elogios.
Hoje em dia observo tantas coisas que não posso concordar ou tentar entender, pessoas que um dia fez parte do mundo da arbitragem, hoje se sentam atrás de um monitor de televisão, aonde o IBOPE vem em primeiro lugar, passando à equivocada opinião, comentando friamente que o árbitro errou.
A regra é clara, frase usada por um ex-árbitro que um dia apitou uma final de Copa do Mundo, e por ser clara, as decisões do árbitro não deve ser distorcida pela falsa visão passada pelas inúmeras câmeras de televisão, colocadas com a finalidade de expor os erros de arbitragem, dando o injusto verídico que o árbitro esta dentro do solo sagrado (campo de futebol – regra 01) somente para prejudicar esta ou aquela equipe.
Analise um pênalti (regra 14) marcado pelo árbitro, visto pelos vários ângulos registrados pelas câmeras, pênalti que fora assinalado de forma equivocado, agora, analise somente pelo o único ângulo de visão possível ao árbitro, assim pode chegar à conclusão que não houve um erro e sim uma limitação humana.
A sociedade futebolística deve aceitar o erro de arbitragem de forma natural, como um atacante perde um gol de forma bisonha e nem por isso é severamente criticado ou multado. O olho frio da câmera de televisão não pensa, não tem prazer e muito menos sonha. Não é humana.
2 de set. de 2009
O HERÓI DA VÁRZEA
Como podemos definir o árbitro que apita futebol não profissional, o chamado futebol de várzea. Que adjetivo é mais apropriado. Herói! ou simplesmente louco!Eles geralmente deixam o aconchego de seus lares, nos domingos, antes dos primeiros raios de sol, mal tomam o café da manhã e já correm para não perder a primeira condução, e tudo isso para chegar sempre no horário, antes das equipes, nos campos de futebol espalhados por este Brasil à fora.
São pessoas simples, porém dedicadas. Depois de vestirem a surrada roupa de árbitro e calçarem o velho par de chuteiras, digo de passagem, muito bem engraxadas, lá vão eles pra enfrentarem as mais diversas situações que uma partida de futebol pode proporcionar.
Uma boa parte destes “homens de preto” se quer concluiram o ensino básico ou até mesmo nem possui um diploma de curso de arbitragem de futebol. Apitam de coração. Com a coragem. Com a educação recebida dos pais, educação esta que resume à honestidade e ao respeito ao próximo. Do princípio de nunca prejudicar ou cometer injustiça.
São eles, sempre presentes nos campos de grama ou sem, de terra batida ou esburacado, com ou sem alambrados, com pequenos balaústres ou uma simples corda para separar a torcida enlouquecida querendo sempre o seu “couro”.
Campos estes localizados nas periferias das grandes cidades, em lugares em que até mesmo a polícia pensaria duas ou mais vezes antes de visita-los.
São estes árbitros que farão nas mentes dos futebolistas de fins de semana a alegria ou a tristeza. Pois a vitória veio apesar deles. E a derrota veio por causa deles.
Pessoas humildes, seres humanos, porém são árbitros de futebol. Verdadeiros heróis dos campos de futebol da várzea.
Valorizando os estudos e buscando novos desafios...

Meus queridos amigos a vida é cheia de surpresas, em um momento só o fato de pensar em viver fora dos gramados, me fazia sentir “calafrios”. Mas com o passar do tempo, depois de superar varias barreiras entres elas a hipocrisia e o preconceito, me peguei trabalhando e desenvolvendo outras atividades e principalmente valorizando os estudos, objetivo que sempre ficava em segundo plano como tudo na minha vida. O primeiro era sempre o futebol, e está priori me colocava em situações de glória, mas também de muita humilhação. Afinal era jovem, sonhadora e tinha como ideal marcar meu nome na história.
Acredito que consegui de várias maneiras, primeiro tendo como foco minha formação na arbitragem, depois adquirindo respeito dos colegas de profissão e de todo meio que envolve o mundo da bola, era uma obstinação. Apesar de muitos insinuarem que perdi todo respeito conquistado quando fui à primeira árbitra a fazer um nu artístico. O que não é verdade, a vaidade e necessidade de demonstrar “poder”, utilizou de um trabalho honesto para prejudicar o outro, reflexo de uma sociedade machista, preconceituosa e hipócrita. Aceitamos políticos corruptos, mas somos incapazes de aceitar uma mulher séria, correta, competente, guerreira e corajosa em sua atividade de trabalho após ter desenvolvido outro sem demérito algum para sua profissão. Isso sem contar os critérios de avaliação aos erros que são levados em conta entre A e B, sendo que os das mulheres são hipervalorizados. Mas enfim essas situações acontecem em qualquer lugar, apenas temos que aprender e conviver com elas lamentavelmente. Ah! Detalhe a culpa é sempre do profissional.
Mas voltando, como é gratificante o reconhecimento do público, mas o principal e eterno a conquista de fãs e admiradores por este mundo a fora. Sei que muitos me querem de volta aos gramados, isso fica evidente em cada mensagem, em cada pessoa que encontro. Fico muito feliz e honrada.
No passado sempre me diziam que estava fora do foco, estranho já que dediquei uma vida a arbitragem. Passei a pensar em mim, no inicio deste ano quando por motivos de saúde não fui aprovada nas provas físicas e me vi obrigada a assistir o paulistão pela Televisão ou na arquibancada, então resolvi priorizar a faculdade, família e vida social. Confesso a todos vocês que perdi um pouco o “tesão” de atuar profissionalmente, quando olho pra trás vejo que sou realizada, pois fiz tudo que foi possível fazer na qualidade arbitra assistente feminino no futebol masculino, uma das façanhas que guardo com carinho é de ter conseguido bandeirar dois jogos da Copa Libertadores da America em 2005. Não imaginei que iria tão longe. Obrigada Sr. Armando Marques e todos aqueles que contribuíram para este feito. Então amigos, digo que agora vou concluir os estudos, valorizar os que me valorizam e encarar novos desafios. E ajudar sempre os que precisam de mim.
Arbitragem obrigada por ter me ensinado a ser mulher e principalmente que é possível ir além. Quero mais (Copa do Mundo), mas isso só será possível fora dos gramados. Acredito em ciclos, acho que o meu ciclo no futebol dentro do campo de jogo terminou, já penso em um futuro fora dele. Espero em Deus que seja tão promissor, como foi na arbitragem. Mas deixo muito claro que ainda não desisti, apenas não vou deixar as oportunidades passarem.
12 de ago. de 2009
O inimigo da Paixão
Ao entrar no solo sagrado( Campo de jogo - regra 01), o árbitro (regra 05) percebe o tanto que é admirado. Uma admiração não agradável, uma admiração vinda da desconfiança, por considerá-lo inimigo da sua paixão, inimigo do seu time de coração.Na verdade todos aqueles que estão fora do universo da arbitragem de futebol não tem consciência do que falam sobre os árbitros, críticas sem fundamentos, destrutivas e malignas, pois estes não possuem o espírito do jogo e sim o espírito da paixão, e paixão não combina com a razão. Todavia este outro universo de pessoas não pode imaginar as dificuldades que um árbitro de futebol tem para desenvolver sua função. Estas dificuldades têm início ao comparamos o tanto que ele deve correr atrás da bola, porém não pode tocá-la, num espaço que varia de 90 a 120 metros de comprimento por 45 a 90 metros de largura, devendo estar sempre bem próximo do lance, sem interrupção em sua corrida, sem descanso, podendo ao final do jogo ter percorrido mais de 14 quilômetros.
Uma outra dificuldade que o árbitro encontra principalmente dentro do solo sagrado é a falta do conhecimento da Carta Magna do futebol por parte jogadores (regra 03) e treinadores, isso é uma pedra no caminho do bom andamento da partida, pois uma simples marcação de falta (regra 12) é motivo para divergência entre o árbitro e jogadores, e estes sempre querem ter razão ao ponto que quando entrevistados não medem palavras para falar mal da arbitragem.
O árbitro vive constantemente vigiado pelos olhos frios das câmeras de televisão. Sobre os olhares de desprezos dos torcedores. Dos olhares dos jogadores e treinadores que sempre o focam como inimigo. Da falta de tolerância e de compreensão quando um erro é cometido, erro este humano. Até mesmo quando do acerto passa não ser acerto, pois todos o julgam pelo coração e não pela razão, ou simplesmente no caso da imprensa para obter mais IBOPE.
O árbitro passa toda a sua carreira carregando a imagem de “ladrão”, inimigo da paixão do torcedor, não importa onde vai apitar, ao entrar em campo será logo ovacionado com este “título” e esta dificuldade ele deve tirar de letra, pois ele sabe que seu conhecimento da carta Magna o transforma em pessoa diferenciada, o transforma em árbitro de futebol.
7 de ago. de 2009
A CRIANÇA E O ÁRBITRO DE FUTEBOL
O futebol é o principal esporte praticado em todo mundo. A criança quando nasce, sendo menino, certamente receberá uma bola de presente. Esta o acompanhará para sempre, em casa, na escola, no campinho de terra batida, no clube, em qualquer outro lugar onde possa chutá-la.
Logo podemos visualizar a chegada do terceiro estágio na vida futebolística da criança, onde sua consciência do caráter arbitrário passa para a necessidade de uma cooperação mútua entre os competidores, resultando na obrigatoriedade de respeitar as regras do jogo.
Como jogador, a criança passa ver um novo personagem: o árbitro de futebol. Para ela este homem de preto representa a lei, sem ele não há jogo, nele será depositado toda a confiança e respeito. O árbitro será visto como indispensável, infalível e incorruptível. Neste estágio a função do árbitro será de um educador, transmitindo as crianças todo seu conhecimento e desenvolvimento da noção das regras do jogo de futebol.
Também neste estágio o árbitro terá sua melhor escola de aprendizagem para ser um árbitro respeitado. Ele passará por um verdadeiro vestibular, ou seja, passará pelo crivo dos pais. Emoção e o coração estarão sempre à frente de qualquer crítica feita por um pai a um árbitro.
As crianças mais velhas, em seu último estágio, admitem que o árbitro possa equivocar-se e que suas decisões podem ser discutidas. Passando não ser o senhor único da verdade. Porém sabem que sua decisão no momento da partida deve ser amplamente respeitada e aceita.
Por Valter Ferreira Mariano
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| Árbitro Paulo Pereira - Portugal |
A criança praticará o futebol sem nenhuma obrigatoriedade. Neste primeiro estágio ela não dá qualquer atenção ou valor à necessidade das regras, o que importa é chutar a bola.
Um segundo estágio se inicia quando a criança começa a praticar o futebol no sentido de equipe. Observando que não estão mais sós dentro de um espaço, as regras. Este ponto é claramente visto quando a criança demonstra sua competência para criar sua própria regra, se adaptando ao momento que obriga esta mudança, por exemplo: um menor número de jogadores (regra 03) ou até mesmo colocando como traves ou meta (regra 01 – campo de jogo) duas latinhas de refrigerante.
Logo podemos visualizar a chegada do terceiro estágio na vida futebolística da criança, onde sua consciência do caráter arbitrário passa para a necessidade de uma cooperação mútua entre os competidores, resultando na obrigatoriedade de respeitar as regras do jogo.
Como jogador, a criança passa ver um novo personagem: o árbitro de futebol. Para ela este homem de preto representa a lei, sem ele não há jogo, nele será depositado toda a confiança e respeito. O árbitro será visto como indispensável, infalível e incorruptível. Neste estágio a função do árbitro será de um educador, transmitindo as crianças todo seu conhecimento e desenvolvimento da noção das regras do jogo de futebol.
Também neste estágio o árbitro terá sua melhor escola de aprendizagem para ser um árbitro respeitado. Ele passará por um verdadeiro vestibular, ou seja, passará pelo crivo dos pais. Emoção e o coração estarão sempre à frente de qualquer crítica feita por um pai a um árbitro.
O árbitro ainda terá como principal função passar a criança o respeito ao fair play (jogo limpo). Impedir a violência. Exigir que nenhum adversário fosse humilhado ou abusado por razões raciais, étnicas ou religiosas. E que o futebol faz amigos.
Infelizmente para o futebol, a criança vê nos pais a principal figura relacionada com a verdade, e sendo assim, quando ela observa seu pai criticar abertamente o árbitro, ela se sente no mesmo direito. É onde nasce o vício que o árbitro será sempre o causador da sua derrota.
Por Valter Ferreira Mariano
5 de ago. de 2009
Errar Não é Nenhum Crime. É uma faceta do ser humano.

A sociedade futebolística tem por obrigação compreender que o árbitro é um ser humano e como tal cometerá erros durante as partidas. O árbitro por sua vez deve assimilar os erros e ao reconhecê-los, deve respirar e ter calma, analisar e procurar não comete-los mais. Nunca compensar uma equipe prejudicada com uma inversão ou criar uma situação favorável. Se fizer, estará duplicando o seu erro e diminuindo sua autoridade e credibilidade.
Tomada uma decisão, o árbitro não deve voltar atrás se certo de sua justiça. Se perceber que sua decisão não está correta ou avisada por um membro da equipe de arbitragem que esta cometendo um erro, tendo a partida não reiniciada, poderá voltar atrás de sua decisão inicial. Se assim fizer, não é desmoralizante sua atitude e sim um ato de humildade e justiça.
O árbitro deve está plenamente focado na partida para que a margem de erros seja mínima. Errar uma vez e voltar atrás, normal. Errar pela segunda vez e voltar atrás, ainda pode ser considerado normal. Agora, errar pela terceira vez e voltar atrás, passara a imagem de um árbitro frágil e sem personalidade, os jogadores irão perceber esta fragilidade e irão tirar proveito fazendo do árbitro um fantoche, os treinadores também vão aproveitar para reclamar das decisões quando não favoráveis, sem contar a torcida que irá exercer uma forte pressão sobre a arbitragem para pender em favor de sua equipe.
O árbitro deve ser compreensivo e inteligente para assumir e assimilar o erro, fazer dele uma lição, em outra situação semelhante não o cometes novamente. Afinal, quem nunca errou?
Nota: O jogador perde gol feito, o treinador escala errado, o goleiro não defende uma bola fácil... Os erros são comuns durante uma partida de futebol. Mas o que faz o árbitro quando ele sabe que errou num determinado lance?
4 de ago. de 2009
ÁRBITRO OU MESTRE DE BATERIA DE ESCOLA DE SAMBA

O árbitro de futebol tem que saber usar suas ferramentas de trabalho, dentre elas o apito, pois o uso incorreto pode torná-lo um mestre de bateria de escola de samba.
O uso do apito expressa a legítima autoridade do árbitro dentro do solo sagrado, (campo de jogo – regra 01). Será através dele que a partida será iniciada, paralisada, reiniciada e finalizada.
O apito será necessário para autorizar o inicio da partida, no reinício com o segundo tempo e após ter sido marcado um gol. Nestes casos, o som do apito será forte com uma duração mediana.
Em situações que uma infração é considerada branda e corriqueira, que a possibilidade de obter um tento direto é quase nulo, o silvo será curto e seco. Porém, se esta infração ocorrer nas proximidades da área penal (grande área), o silvo será forte e um pouco mais logo, indicando que através dela a possibilidade de obter um gol direto é favorável ao seu executor.
As infrações que levam um grande risco à integridade física dos jogadores, ou jogada violenta, que o uso de um dos dois cartões se fará necessário, o som do silvo será forte e longo, no qual o árbitro mostrará que não gostou nem um pouco da infração. Será como sua “cara feia” para o lance.
Na sinalização de uma penalidade máxima (regra 14), o árbitro deve mostrar através do silvo do seu apito toda sua convicção que a mesma ocorreu. Neste caso, o silvo será forte, bem alto e um pouco longo. Assim todos saberão com clareza que uma penalidade foi marcada.
Ao reiniciar o jogo após o mesmo ter sido paralisado para aplicação de um cartão amarelo ou vermelho, ou para atendimento de atleta lesionado, ou nas substituições, o silvo será curto. Porém, com uma boa altura para que todos saibam que o jogo será reiniciado.
O apito deve ser usado de forma repicada para chamar atenção que algo está errado ou fora de posição, como a posição da bola no quarto de circulo na execução de um tiro de canto (regra 17), a distância de 9,15m da barreira em relação à bola, do tiro de meta (regra 16) ou do posicionamento do atleta na cobrança de um arremesso lateral. Este silvo repicado informa que o posicionamento deverá ser corrigido para que se possa reiniciar a partida.
Não se fará necessário o uso do apito para autorizar a execução de um tiro de canto, meta, arremesso lateral ou quando um gol é marcado (regra 10). Porém, se há demora na execução ou um gol é marcado deixando dúvida se bola entrou ou não, nestas situações a intervenção do silvo do apito se fará necessário para chamar atenção dos jogadores.
O apito é um instrumento do árbitro, e como tal deve ser usado com destreza. O uso de forma desnecessária e freqüente terá menos impacto quando for necessário. Para iniciar o jogo, o árbitro deverá anunciar claramente aos jogadores que o jogo só pode reiniciar após este sinal.
3 de ago. de 2009
A morte súbita dos árbitros
As pessoas ligadas à mídia esportiva nos inúmeros programas na televisão, que também fazem parte de outros meios de comunicação, como rádios, jornais e revistas esportivas, com colunas exclusivas e grande espaço nas emissoras – todas têm algo em comum: a possibilidade de ver e rever quantas vezes necessárias um lance duvidoso para dar seu veredicto final: a crucificação ou a absolvição do juiz ou bandeirinhas (juiz e bandeirinhas são termos pelos quais a mídia esportiva os chamam). Tais opiniões são baseadas em cima de vários ângulos capturados pelas diversas câmeras de televisão espalhadas em redor do campo de jogo e até mesmo em cima dele, dos dirigíveis que sobrevoam o local da partida. Com todo este aparato tecnológico, tais pessoas não têm misericórdia, condenam à "morte" o árbitro ou seus assistentes, que contam com singelos segundos e apenas um ângulo de visão para aplicar uma das regras do futebol.
Contudo, temos dois bons exemplos de que tais pessoas, com toda estas parafernália eletrônica, vendo e revendo as imagens, ainda sim dão veredicto errados.
Contudo, temos dois bons exemplos de que tais pessoas, com toda estas parafernália eletrônica, vendo e revendo as imagens, ainda sim dão veredicto errados.
O primeiro exemplo vem da França, Copa do Mundo, 23/6/1998, Estádio Velódromo, Marselha, Brasil x Noruega. Próximo do fim do jogo, o árbitro Estandiar Baharmast (dos Estados Unidos) viu um pênalti cometido por Júnior Baiano. Para seu azar, todas as câmeras oficiais e não-oficiais, do tipo "câmera exclusiva da Globo", não flagraram a ação que gerou a penalidade. Conseqüentemente, o árbitro foi tarjado de "ladrão", principalmente depois dos comentários feitos ao vivo pelo narrador e o comentarista de arbitragem da principal emissora de televisão do Brasil.
No dia seguinte, a verdade – numa imagem feita por uma emissora que por acaso estava gravando cenas da torcida para um documentário a pedido da Fifa. Tal imagem revelou que o árbitro estava correto. Pênalti claro: Júnior Baiano agarrou e puxou o adversário dentro da área. Tarde demais, a sentença já estava dada, o árbitro estava voltando a seu país. No entanto, não houve qualquer pedido de desculpas por parte daqueles que o condenaram, ficou no esquecimento.
Difícil é enxergar
O outro exemplo vem da Taça Libertadores, o mais importante torneio de clubes da América. Não me lembro do adversário do São Paulo, porém recordo muito bem do lance: uma reposição de bola por tiro de meta. Executado com um chute forte do goleiro adversário, a bola chegou ao atacante completamente livre, entre ele e a linha de fundo só havia Rogério Ceni. Então vem a voz do narrador, aos gritos: "O bandeirinha está louco, está impedido, burro, burro, este bandeira está maluco, impedimento claro".
A partida seguiu normalmente. Em todas as participações do tal bandeira, voltava o comentário de "burro". Ao se aproximar o fim da primeira etapa, veio do nada o comentário: "Naquele lance do impedimento o bandeira estava correto, pois a bola veio de uma cobrança de tiro de meta, sendo assim não há impedimento". Mesmo reconhecendo o erro, ninguém pediu desculpas por chamar o bandeira de "burro". Mais uma vez a sentença estava dada.
Com estes dois exemplos podemos ver o quanto a arbitragem em nossos tempos está exposta a comentários destrutivos, sem a visão do árbitro, sem a visão do espírito do jogo. Os erros de arbitragem sempre existiram, hoje até com mais freqüência, por causa das inúmeras câmeras e recursos tecnológicos, e mostrar o erro da arbitragem exaustivamente rende ibope.
Isso não é justo. É fácil sentar numa cadeira em frente a um monitor de televisão e dar opiniões – seja na imprensa esportiva, falada, escrita e televisionada. Difícil é enxergar com os olhos da arbitragem.
Alfabetização da mídia

A sociedade futebolística será genuinamente democrata somente com a alfabetização dos meios de comunicação através da Carta Magna do futebol, pois sua influência é decisiva na opinião dos fãs deste esporte. Porém, para que isso ocorra, a mídia esportiva deverá condenar abertamente a crucificação dos erros de arbitragem de forma mais consistente do que faz, anulando o paradoxo que o árbitro se faz presente no solo sagrado para beneficiar uma das equipes, valorizando o ser humano – o árbitro – como o alicerce desta sociedade.
Sinto que a mídia esportiva vem se abrindo, de forma mais generosa, quando um erro de arbitragem é flagrado pelo olho frio da câmera de televisão, nos diversos ângulos. Os comentários têm sido feitos de forma ponderável, onde a visão do árbitro é também comentada, assim passando aos fãs as duas versões do lance registrado. Esta atitude é apenas uma gota d’água; todavia, uma gota d’água move um oceano, já é um começo.
Neste cenário, uma iniciativa de alfabetizar a mídia é a única via a uma sociedade futebolística mais justa e sustentável. A difusão do livro de regras, dos conceitos, das instruções, diretrizes de arbitragem, certamente colocará um fim no paradigma cultural que o árbitro é o vilão das partidas de futebol.
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