22 de dez de 2010

Olegário Benquerença - 10 Resposta de um árbitro de sucesso

10 Questões a... Olegário Benquerença


O site de arbitragem RefereeTip.com e o site institucional da APAF - Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol iniciaram recentemente uma parceria online intitulada “10 Questões a…”.

Nesta rubrica, comum aos dois websites, convidamos semanalmente uma personalidade a responder a 10 questões relacionadas com a arbitragem.


Esta semana convidámos o “mundialista” Olegário Benquerença a falar sobre a sua carreira e a dar a sua opinião sobre o futebol e arbitragem em Portugal.

1. O que te fez entrar para a arbitragem?
A minha entrada na arbitragem deveu-se a uma enorme paixão e gosto pela causa. Desde muito cedo (5 anos) que convivi semanalmente com árbitros, acompanhando o meu pai nesta actividade. Quase posso dizer que aprendi a ler com o livro das Leis do Jogo. Arbitrei o meu primeiro encontro quando tinha, sensivelmente, 10 anos e, apesar de ter sido jogador, esta foi sempre a actividade que sonhei para mim.

2. Passados alguns meses da tua presença no Mundial de Futebol, que balanço fazes e como “olhas” para esse momento da tua carreira?
Tal como já referi inúmeras vezes, a minha ida ao Mundial foi o culminar do sonho de uma vida. Na sequência do que disse na resposta anterior, o 1º Mundial de que tenho memória foi em 1978, na Argentina. A coincidência de, nesse Campeonato, estar um árbitro de Leiria (António Garrido), avivou mais ainda esse desejo. Numa fase, como criança, em que via o Mundial na TV e conhecia, ainda que muito superficialmente, um dos seus protagonistas, cresceu em mim a sensação de querer estar ali e viver aquelas emoções. Fui, de facto, um privilegiado em poder construir uma carreira e materializar esse sonho com a presença na África do Sul. O balanço é, muito naturalmente, muito positivo. Tive o privilégio de fazer 3 jogos, chegar aos quartos-de-final e sair da competição sem qualquer erro que pudesse ter manchado a minha passagem pela prova. Finalmente, quero deixar claro que tudo isto foi possível graças à minha enorme força de vontade, luta contra diversas resistências externas, contando com a colaboração excepcional de um conjunto de profissionais de excelência e, principalmente, uma dupla de Árbitros-Assistentes que são do melhor que o Mundo tem. José Cardinal e Bertino Miranda foram, são e serão, para mim, a melhor dupla de assistentes do futebol mundial!

3. Como analisas a situação da arbitragem actual, mais concretamente a sua formação, a organização/estrutura e os árbitros da actualidade comparativamente com o que aconteça no teu início de carreira?
Nem sei como deva responder a esta questão. É claro que a formação e estrutura (futebol profissional) estão, incomparavelmente, melhor do que quando iniciei a minha carreira. A organização federativa / associativa é a mesma e padece dos mesmos vícios e falta de visão que existia no passado. Os dirigentes, salvo honrosas excepções, são os mesmos e com a mesma falta de estratégia ou capacidade para ajudar e promover a evolução, não acompanhando, a maior parte deles, a própria evolução dos árbitros. O que melhorou, na minha opinião, foi o nível social, qualitativo e intelectual dos árbitros, resultado também, como é óbvio, da evolução natural da própria sociedade. Continuamos, contudo, a ter estruturas anquilosadas e a funcionar como forças de bloqueio ao necessário passo em frente da nossa arbitragem. Acredito que, daqui a meia dúzia de anos, a arbitragem portuguesa possa ter esse salto, nomeadamente com a chegada ao dirigismo de alguns dos árbitros actuais. A estrutura vive hoje numa realidade de “pirâmide invertida”, ou seja, a base (árbitros) está mais evoluída que o topo (dirigentes). Quero, contudo, deixar uma palavra de solidariedade e estima para os muitos dirigentes distritais que, com enorme dificuldade e sacrifício pessoal, continuam a fazer autênticos milagres para conseguir manter a arbitragem nas suas organizações.

4. O que de melhor e o que de pior existe na arbitragem e no futebol em Portugal?
O melhor é, sem qualquer dúvida, o quadro de árbitros. Pese embora ainda subsistirem algumas “almas” e resquícios de um certo passado, o actual quadro é composto por jovens de grande qualidade, seriedade, dedicação e, acima de tudo, independência material e moral. Só quem não quer ver e teima em atirar poeira para os olhos de terceiros, pode negar esta evidência. O pior é, infelizmente, a falta de visão estratégica da maioria dos dirigentes e a sistemática luta de poderes que teimam em descredibilizar a arbitragem e os árbitros. Lamento ainda não existir um sistema disciplinar forte e com penas severas para os comportamentos desviantes, o que impede uma eficaz limpeza e separação entre “trigo” e “joio”.

No futebol, o melhor é mesmo a bola e a relva (nem em todos os estádios, diga-se). O pior é, a larga distância, o sector dirigente. Já não há “pachorra” para algumas caras, discursos e comportamentos… Em 20 anos, mudaram os jogadores, treinadores e árbitros. Diz-se que o futebol não mudou. Se assim é, porque não experimentar mudar os que ainda são os mesmos? Entretanto, assistimos também ao surgimento, quais cogumelos, de alguns pseudo-intelectuais do mundo da bola, que discursam sobre o que não sabem, ganham a vida a denegrir uma actividade para a qual nunca contribuíram positivamente e, assim, vão ajudando a afundar a já tão pouca credibilidade desta modalidade.

5. É mesmo verdade que é mais fácil apitar jogos no estrangeiro do que em Portugal? Porquê?
Nem se pode comparar. Primeiro porque a estrutura directiva é muito mais forte e rigorosa. As sanções aos infractores são céleres, dissuasoras e eficazes. Em segundo lugar, as estruturas internacionais sabem que o “produto” futebol tem mercado mas só sobrevive se for “vendido” pela positiva, ou seja, valorizando o mérito e promovendo o espectáculo e os seus artistas. Já repararam que a Eurosport não tem nenhum programa à 6ª feira para discutir as arbitragens das jornadas europeias?

6. Que objectivos ainda tens por cumprir na tua carreira?
O meu principal objectivo é conseguir, enquanto estiver no activo, manter os meus níveis de rendimento físico, técnico e emocional. Se o conseguir, é certo que continuarei a ser chamado regularmente para as competições internacionais e, dessa forma, serei candidato a dirigir jogos de alto nível. Se pudesse apenas escolher uma “prenda”, já que estamos na época natalícia, escolheria uma final da Champions League. É um objectivo ambicioso, tenho consciência. Mas o sonho comanda a vida…

7. Quando eras mais novo tinhas algum árbitro de referência? E actualmente?
Eu nunca fui de grandes ídolos. Confesso que, enquanto jogador, sempre tive um fascínio especial pelo Chalana e pelo Ian Rush (Liverpool). Já enquanto árbitro, não me recordo de ter alguém que, individualmente, me suscitasse particular admiração. Sempre fui, e sou, de observar as características mais marcantes de cada um e procurar concatenar esses traços para a minha melhoria. Actualmente e talvez até pela proximidade e conhecimento pessoal, é-me ainda mais difícil escolher alguém. Prefiro pensar que tenho, entre os meus amigos, alguns dos melhores árbitros de mundo, o que é, de facto, um enorme privilégio.

8. Quais as melhores recordações que guardas da tua carreira até ao momento?
Felizmente, tenho muitos bons momentos. Dentro e fora do campo, a minha memória está cheia de belas passagens, as quais conseguem suplantar, em larga escala, os momentos mais infelizes por que passei nesta actividade. Gostaria de destacar apenas um momento, pelo seu simbolismo e por ser tão distante. Ainda jogador, comuniquei ao meu treinador que iria abandonar a carreira para me dedicar à arbitragem. Depois de muitas tentativas para me dissuadir e por ver que seria impossível, virou-se para mim e disse: “Com essa força que tens e com o teu carácter, tenho a certeza que te vou ver arbitrar num Mundial.” Sempre que nos encontrávamos, principalmente depois de algum momento menos positivo da minha carreira, ele teimava em reafirmar a sua profecia. 20 anos depois, eu cheguei lá e ele, felizmente, estava (e está) vivo para o testemunhar. Quando me encontrou, demos um abraço forte e sentido e deixamos correr uma lágrima no canto do olho. Se há coisas boas no futebol, e há muitas, esta foi, para mim, uma das melhores. Deixo aqui a minha homenagem a um grande senhor do futebol, Orlando Rousseau, o meu treinador no CRC 22 de Junho – Amor.

9. Qual o principal conselho que darias a um jovem árbitro para que este consiga ter sucesso na arbitragem?
Construam o sonho, alimentem-no todos os dias, armazenem os momentos de sucesso num baú bem hermético e abram-no apenas para ir buscar reservas quando forem atacados e tentarem destroçar a vossa auto-estima. Desconfiem das falsas amizades e promessas de carreira, substituindo-as por trabalho sério e árduo. Só os fortes sobrevivem nesta “selva” da vida. Finalmente e como um dia alguém me ensinou, tenham SORTE. A sorte é a soma da oportunidade com a competência…

10. Que questão nunca te colocaram mas à qual gostarias de responder?Se tivesses poder para sancionar, disciplinarmente, todos os que dizem mal do futebol e da arbitragem, qual a pena que aplicarias?
A todo e qualquer indivíduo que ousa falar e criticar os árbitros e a arbitragem, a pena que aplicaria seria a de obriga-lo a arbitrar, pelo menos, 5 jogos. Tenho a certeza que, desta forma, a maior parte deles nunca mais falaria do que não sabe e mostraria que, tal como dizem os espanhóis, “falar de touros não é o mesmo que estar na arena”.

RefereeTip agredece ao colega Olegário Benquerença a disponibilidade em participar nesta rúbrica "10 Questões a..."

Visite o site RefereeTip - um dos melhores em informação sobre o maravilho universo da arbitragem de futebol a nivel mundial.

17 de dez de 2010

AS MESAS REDONDAS

Domingo à noite fiz um programa diferente do que costumo fazer. Deitei-me no sofá diante da televisão e passei a assistir os inúmeros programas esportivos, as chamados “mesas-redondas”, que na verdade, nem mesa tem e muito menos algo parecido no formato redondo. 

No início de cada programa, o apresentador descreve um breve resumo de como será o mesmo, fala dos gols da rodada, da classificação, das jogadas geniais, dos artilheiros e dos acontecimentos do mundo da bola. Em seguida, o mesmo faz apresentação de todas as “figuras” presentes, intercaladas com as inúmeras chamadas dos patrocinadores, que não são poucas e se prestarmos atenção, elas consomem mais de 60% do tempo total do programa. 

Com programa iniciado, logo esta pauta resumida fica de lado, o apresentador-chefe vai logo atacando as arbitragem que envolveram os jogos, principalmente dos grandes clubes. Nota-se que no resumo não há chamada para este assunto, porém ele passa ser o principal a ser debatido. Ele (o apresentador) dispara contra os árbitros. 

“Porque os árbitros espoliaram o clube tal em dois ou três jogos seguidos, deixaram por assinalar não sei quantos penaltis a favor e deram não sei quantos impedimentos que não existiram. Por exemplo, na partida de hoje, a bola bateu na mão do zagueiro e cortou a trajetória, seria gol, e desta forma deveria marcar penalti, é vergonhoso o que esses ‘caras’ estão fazendo com o futebol brasileiro. Eles não são fracos e sim muito mal intencionados. Se um clube reclama deles abertamente na imprensa são logo prejudicados novamente na partida seguinte. Isso é perseguição!” 

Na verdade esses programas esportivos usam as imagens da televisão para criar polêmicas e obter um maior número de pontuação no Ibope, pois insere na cabeça do pobre torcedor, esse sim, mal tratado nos estádios de futebol, onde não tem qualquer conforto ou respeito, uma falsa e cruel imagem que a arbitragem só existe para “roubar” o seu time de coração. É com essas imagens e opiniões que esse mesmo torcedor passará a sua semana debatendo com outros torcedores de times rivais, nas horas vagas do seu trabalho ou nas filas em busca do mesmo, nas mesinhas dos botecos ou na sua volta pra casa num coletivo lotado, que seu time foi literalmente roubado pelos chamados “juízes de futebol”. 

Com certeza, esses programas poderiam dar uma grande contribuição ao futebol colocando a visão do árbitro e de seus assistentes como única. Pois são decisões tomadas em segundos e em situações complicadas durante a partida. Culpar sistematicamente a arbitragem pelo maus desempenhos das equipes, principalmente as chamadas “grandes”, dá audiência e isso é o que importa. 


Foto: site RD1 AUDIÊNCIA

14 de dez de 2010

Árbitra de futebol uma nova opção para as mulheres no esporte brasileiro

Aproveitando a excelente arbitragem de Elizângela Silva Ribeiro ocorrida na partida final de futebol do torneio interno “Máster – 35 anos” Fausto dos Santos no Clube de Campo das Figueiras neste último final de semana o portoferreirahoje solicitou mais informações sobre a carreira de Elizângela como árbitra da Federação Paulista de Futebol com o objetivo de prestigiar essa “nova” atividade esportiva para as mulheres.

Elizângela começou o curso de arbitragem na FPF (Federação Paulista de Futebol) em 2005 e no mesmo ano também teve início seu trabalho como coordenadora de arbitragem na prefeitura municipal de Casa Branca.

No ano de 2008 mudou-se para São Paulo e lá começou a atuar nos campeonatos pela Associação Paulista de Arbitragem e pela FPF (Federação Paulista de Futebol) como árbitra assistente.

Em 2010 estreou na 2ª divisão do campeonato paulista e continua se preparando cada vez mais para alcançar a divisão principal.

Elizângela é de Casa Branca, filha do senhor Benedito da Silva e senhora Orlanda Fernandes, ambos residentes em Casa Branca-SP.

O portoferreirahoje deseja grande sucesso para Elizângela em sua carreira de árbitra e espera que possa surgir também em Porto Ferreira árbitras de futebol no futuro próximo.


Fonte: Porto Ferreira Hoje
Link: http://www.portoferreirahoje.com.br


10 de dez de 2010

A Experiência da Tecnologia do Futebol aos Árbitros na Copa Inovação

Brasil realizou a primeira experiência de uso da tecnologia visual no auxílio para decisões dos árbitros em partidas de futebol. A iniciativa teve o apoio dos Sindicatos dos Atletas Profissionais dos Estados de SP e RJ. Pesa-me observar que não vi em lugar algum a manifestação oficial da experiência por parte da Federação local, Confederação ou Comissões de Árbitros.

Deixando essas falhas políticas de lado, vamos ao que verdadeiramente interessa: os testes realizados e seus resultados.

Antes do americano Neil Armstrong descer do módulo Eagle e pisar na Lua, a NASA perdeu inúmeras espaçonaves e explodiu diversos foguetes; em outros pontos do mundo e do Universo, a Rússia colocava a cadela Laika em risco até se certificar que Yuri Gagárin estaria em segurança. E, assim, os objetivos louváveis foram alcançados através de testes, erros, tentativas frustradas e persistência. Não seria no futebol que a primeira experiência tecnológica seria marcada pelo sucesso absoluto.

Através da partida entre as seleções de Paulistas X Cariocas, no evento chamado de Copa Inovação, testou-se o uso do cartão azul, substituições ilimitadas e a permissão de que os treinadores pedissem revisão da tomada de decisão do árbitro em certas decisões e em número determinado.

Ótimo. Testar novidades é importante, até para saber se são úteis ou não. Particularmente, sou um defensor do uso da tecnologia no futebol (adotada paulatinamente e sem radicalismos), e abordei o que achava delas no artigo “A Tecnologia para o Árbitro de Futebol: Demagogia e a Realidade” (clique aqui para acessá-lo) e considerei as minhas dúvidas quanto a forma do uso em: “Fifa autorizará o uso da tecnologia no Futebol?” (clique aqui para acessá-lo).

O que pude observar ontem e o que já vi em outras oportunidades:

- Cartão Azul: não gosto; pude participar da experiência da FPF na administração Farah e sobre o comando do professor Gustavo Caetano Rogério, a respeito dessa nova punição intermediária. O problema se torna a subjetividade entre as 3 cores de cartões. A regra é muito boa quando se diferencia o Amarelo do Vermelho, e, ao introduzir o Azul, muitas vezes há uma acomodação em não se aplicar a Expulsão por Vermelho. Valeu como tentativa, mas não adotaria.

- Substituições Ilimitadas: ótima iniciativa. Talvez a melhor inovação de todas. Visto que cada vez mais o fator “condicionamento físico” é relevante no futebol, permitir um maior número de atletas participando da partida é válido. Até mesmo para os treinadores estrategistas, é legal poder contar com um jogador que outrora foi substituído para que volte mais descansado para a partida. O problema é: Como controlar as substituições e como dinamizá-las? Cá entre nós: se todos os jogadores substitutos participarem do jogo e alguns substituídos retornarem, nos atuais procedimentos de substituições, a cada final de jogo teremos de 10 a 12 minutos de acréscimos…

- Uso das imagens de vídeo para correção ou ratificação do árbitro: a mais polêmica de todas as inovações. Na experiência de ontem, muita confusão até mesmo pelo ineditismo das ações. O técnico tinha a permissão de “desafiar” a decisão do árbitro uma oportunidade em cada tempo. No primeiro desafio do jogo, solicitado pelo treinador dos Paulistas, Vágner Mancini, muita demora no recomeço do jogo e muita gente para se decidir. Não gostei do tumulto ocorrido na beira do gramado, em frente ao monitor. Mas, claro, é somente uma primeira experiência, vamos levar em conta isso. A câmera que o amigo Sálvio Spínola tinha no seu peito também leva a um questionamento: o ideal é lá onde ela estava ou mais próxima do campo de visão dele? (Nosso amigo virou o Robert Downey Jr do apito, o Homem de Ferro do futebol… rsrs) De repente, um inusitado capacete (daqueles de mineiros) poderia mostrar a mesma visão do árbitro, pela sua mobilidade, do que estar fixada no tronco. E por que ter a repetição da mesma visão, não era melhor a imagem diferente, de outro ângulo?

Claro, dúvidas e questionamentos necessários e que só testando vamos saber os resultados e melhorar as tentativas de acerto.

Talvez, a cada desafio, melhor seria o árbitro fosse em direção do monitor, assistisse o VT com o 4º. Árbitro e imediatamente reconsideraria ou não sua opinião. Sem treinador em cima dele ou capitães pressionando! A própria votação (na primeira ocorrência, 6 X 1 para a confirmação de um lance) não me agradou; não que seja democrático demais, mas sim burocrática demais.

Já imaginaram essas regras na partida recente do Campeonato Brasileiro entre Corinthians X Cruzeiro, tão polemizada? O que teria acontecido num momento assim? Imagino o Sandro Meira Ricci cercado por Tite e Cuca, tendo Fabrício e Willian fungando em seu cangote e com Andrés Sanches e Zezé Perrela querendo ir à frente do monitor também! O jogo não teria terminado ainda…

Claro, tudo isso é um laboratório que serve para discussão. Extremamente pertinente! Os pontos positivos e negativos só surgirão a partir desse começo, e repito como na introdução, acertando e errando que se iniciará o caminho do aperfeiçoamento. Agora, é lógico que testar em amistoso tem um viés muito grande do que se testar em partida oficial ou decisiva.

Texto do Prof. Rafael Porcari - veja máteria em seu blog:


Foto: Diário do Grande ABC

7 de dez de 2010

Que é o profissional?

Muito se fala da arbitragem, da sua importância, do que se deve o que não se deve fazer para melhorar esta nobre função. No fundo, todos concordam que o sucesso dos campeonatos depende das boas arbitragens. Para isso ocorrer, os árbitros devem ser valorizados, porém, infelizmente, a realidade é bem diferente.

Pode-se dizer que a arbitragem vive uma espécie de paradoxo, pois no mesmo tempo que a sociedade futebolística reconhece que o árbitro deve ser profissionalizado, não dispensa ao árbitro o valor e respeito que em tese lhe é atribuído.

O resultado deste paradoxo é evidente: exigir muito do amador – árbitro – e muito pouco do profissional – jogador – este com salário não condizente com a realidade do país.

Neste sentido, não é de se estranhar as pesadas críticas quando um erro é cometido pelo humano – árbitro – erro percebido pelos olhos frios das câmeras da televisão, transformando este pobre mortal no vilão dos derrotados. Derrotados que não se empenharam durante toda a partida, errando inúmeros passes, fundamento básico no futebol, chutando a bola prá longe nas cobranças de faltas frontais a meta adversária, perdendo situações manifestas de gol em erros primários, mais este profissional que erra mais que o árbitro é simplemente idolatrado pela sociedade futebolística, recebidos nos programas esportivos como verdadeiros heróis.

Nestes últimos anos, para combater esta realidade, a arbitragem vem se encaminhando para um patamar mais profissional, com suas próprias pernas. Em São Paulo, o trabalho visa a qualidade e não a quantidade de árbitros, vem dando resultados positivos. Onde o árbitro esta acordando para realidade da arbitragem, se dedicando de corpo e alma neste trabalho de busca de aproximação de critérios, na trocas de informações, procurando vê todas as partidas como uma decisão de campeonato, buscando o aprimoramento físico e psicológico necessário para garantir uma boa perfomace durante a partida. Neste contexto pergunto: Quem é o profissional de verdade dentro do futebol?

Por Valter Ferreira Mariano

3 de dez de 2010

Jogador paraguaio estrangula árbitro no Chile

Na segunda divisão do Campeonato Chileno, um fato violento e inusitado tomou as manchetes dos jornais locais. Segundo a versão online do El Mercurio, o Rangers, de Talca, perdia para o Desportes Concepción, clube que leva o nome da cidade, por 2 a 0 quando o zagueiro paraguaio José Pedrozo recebeu cartão vermelho. Revoltado, um jogador do Rangers agarrou o juiz Marcelo Miranda pelo pescoço e tentou estrangulá-lo.

A partida, válida pela 20ª rodada da fase regional, já estava conturbada por conta de outro lance polêmico. O árbitro havia assinalado pênalti para o Concepción e, depois de mandar voltar as cobranças desperdiçadas, validou o gol depois da quarta tentativa do cobrador.

Minutos depois, Marcelo Miranda expulsou Pedrozo por uma falta na intermediária. O zagueiro se indignou e partiu para cima do árbitro dizendo ser perseguido – esta foi a terceira vez no ano que Miranda o expulsou de uma partida.

Revoltado, o paraguaio agarrou o juiz por trás, aplicou uma “gravata” e tentou estrangulá-lo. Seus próprios companheiros de equipe trataram de acabar com a briga e separaram os envolvidos, apesar da relutância de Pedrozo. Só depois de ser derrubado o paraguaio desistiu da agressão.

Em decorrência da violência do fato, o zagueiro deverá ser suspenso por, pelo menos, 20 partidas. Sendo assim, José Pedrozo acertou a recisão de seu contrato com o Rangers e deve voltar a seu país em breve.
 

Violência faz árbitro abandonar o apito

O baiano Zenildo Santos, filiado à Federação Baiana de Futebol, foi agredido duas vezes em competição do futebol amador de Itabuna.

Segundo o Blog Destaque Esportivo, o árbitro de futebol, Zenildo Santos, declarou que deixará de apitar futebol e vai aposentar os cartões em decorrência da violência de que foi vítima este ano nos campos de Itabuna, no interior da Bahia. Segundo Zenildo, a decisão já está valendo para o Campeonato Interbairros deste ano. "A partir de hoje, não vou mais apitar no Interbairros de Itabuna", disse Zenildo chateado com as agressões] sofridas no último dia 21, durante o jogo envolvendo as equipes de Vila Anália e Banco Raso.

Essa não é a primeira vez que Zenildo é agredido por torcedor nesta competição. A primeira foi no campo de Ferradas quando um torcedor entrou no campo de jogo e o atingiu com um chute nas costas.

Domingo (21), foi a vez do jogador Rildo, da equipe do Banco Raso promover mais um ato de insanidade quando agrediu Zenildo com um soco no rosto deixando-o tonto e sem condições de prosseguir na partida. Essa não é a primeira vez que árbitros são agredidos no campo do Núcleo Habitacional da Ceplac, mando de campo da equipe do Banco Raso. Outro episódio se deu no início da competição quando um torcedor agrediu um árbitro assistente. Como o fato não foi relatado pelo árbitro da partida, o fato não teve repercussão.

Zenildo Souza Santos, bastante conhecido no meio esportivo, já conta com mais de vinte anos de arbitragem, é filiado à Federação Baiana de Futebol e foi um dos fundadores da AAFI (Associação dos Árbitros de Futebol de Itabuna), sendo presidente da entidade por três mandatos.

Fonte: Notícias Grapiúnas

Ser juiz de futebol é vocação?

Que sentimento leva uma criatura a se meter em semelhante camisa de 11 varas?

Quem, quando menino, não ouviu, não ouve e não ouvirá esta pergunta indefectível: "Meu filho, o que é que você quer ser na vida?" O leque de sonhos da meninada, pelo menos no meu tempo, era o mais amplo possível. Eu quero ser bombeiro. Eu quero ser jogador de futebol. Eu quero ser pescador. Eu quero ser vaqueiro. Doutor, poucos querem ser, apesar da pressão, às vezes ostensiva, às vezes ardilosa, do pai e da mãe.

No universo do futebol, a preferência recai na linha atacante. Juiz, porém, como está dito acima, não conheço um só caso. Então, pergunto: o que leva uma criatura a decidir se transformar em árbitro de futebol? Será uma vocação catastrófica? Só Deus sabe... Nos tempos modernos, há quem defina, assim, a figura do árbitro de futebol: "O árbitro é o sujeito que rouba o time da gente na presença da multidão e ainda vai pra casa protegido pela polícia".

Conto a vocês uma história que ilustra bem o calvário que tem sido, ao longo do tempo, a vida do juiz de futebol.

Aconteceu numa cidadezinha do interior da Bahia, ali pelos anos 40. Era uma partida entre o anfitrião Iracema F.C. e o Modesto F.C.. O delegado Fontenele foi ao vestiário do juiz antes de começar o jogo.

- Estou aqui - disse o policial - pra uma visita de cortesia, mas também pra lhe dar garantias de vida - disse, explicando que falava na condição de delegado da cidade.

- O senhor não é daqui, mas sabe como é o futebol: o time visitante, aqui, não pode vencer, nunca. A única vez em que isso aconteceu, me lembro como se fosse hoje: a torcida invadiu o campo, deu nos visitantes, quase mata o juiz.

- Seja o que Deus quiser - disse o árbitro ao delegado, que reagiu assim:

- Seja o que Deus quiser, não; não vamos meter Deus nesse jogo porque não dá certo. É melhor dizer: seja o que o Iracema quiser...

O zero a zero não convinha ao anfitrião, que perderia a taça oferecida pelo prefeito. Quarenta minutos do segundo tempo, nada de gol; ou melhor, nada de chegar o gol encomendado pelo delgado Fontenele, em nome da paz coletiva.

O juiz olhou o cronômetro: o alambrado era o próprio público, que, na sua explosiva impaciência, vinha fechando o cerco, mal deixando espaço para o vaivém dos bandeirinhas.

Não conversou. Passando pelo ponta-de-lança, o juiz deu uma dica: no primeiro abafa, pode cair na área, espalhafatosamente. Foi o que fez o jogador.

Pênalti contra o Modesto F.C., que é o visitante.

Protesta daqui, reclama dali, bola na marca, lá vem para a cobrança Castanheira, o artilheiro e, popularmente, dono do time.

E Castanheira, com um tremendo coice, chuta a bola às nuvens. Desespero no público, desespero no campo. Faltando três minutos, como é que vai acontecer um desastre desse?

Enfim, se havia ainda três minutos de jogo, nem tudo estava perdido. Era só cair outro na área do Modesto que o juiz não hesitaria em aplicar aos faltosos o castigo que a lei determina. Tempo para a cobrança não é problema porque a regra é clara: o pênalti é a única falta que pode ser cobrada além do tempo regulamentar. O juiz deve prorrogar indefinidamente o jogo até que o pênalti seja cobrado. Portanto...

Pênalti contra o Modesto F.C..

Jogadores afastados da grande área. Quem ajeita a bola pra cobrança? Castanheira, artilheiro do time, ídolo da cidade e a quem os próprios colegas, numa prova de solidariedade, haviam escalado para chutar o pênalti e se reabilitar do fracasso anterior.

Quando o juiz percebeu que o homem do pênalti seria o Castanheira, foi ao encontro dele, tomou-lhe discretamente a bola das mãos e, quase cochichando, sentenciou:

- Me desculpe, mas você, não. Você vai acabar me matando aqui!

Perguntou quem era o ponta-esquerda, entregou a bola e mandou o outro cobrar o pênalti. Tomou posição, apitou e repetiu mentalmente a frase-oração:

- Seja o que Deus quiser!

E Deus quis: Iracema 1 a 0.

Nota: texto do  jornalista   Arrmando Nogueira - Revista Lance A+, levanta a questão.

Foto: Herbe Roberto Lopes

2 de dez de 2010

A personalidade de um árbitro de futebol

Todo o árbitro (regra 05) de futebol têm de aprender a lidar com várias mudanças ao longo de sua carreira.

Um bom árbitro de futebol tem que aprender, acima de tudo, a impor sua personalidade dentro do solo sagrado (campo de jogo - regra 01), independente das situações em que a partida vai ser jogada.

Também deve saber, na ponta da língua, cada ponto, cada vírgula, cada palavra e cada parágrafo que compõem a Carta Magna do futebol (as 17 regras), ter um ótimo preparo físico e concluir o terrível teste FIFA. Porém, nada disso será de valia se não consegue aplicá-las com destreza dentro do campo de jogo.

A personalidade é muito importante dentro da arbitragem de futebol. O árbitro tem que ser ele mesmo, manter sempre a calma e o equilíbrio, pois os jogadores, treinadores, dirigentes e torcedores sempre saberão distinguir quando um árbitro está se passando por alguém que não é, isso causará terríveis danos ao seu desempenho durante a partida.

Na mente de muitos árbitros passa a sensação que já se estabeleceram como árbitro de ponta, porém devem lembrar que isso é apenas uma sensação. Na verdade, isso é o início de um longo e difícil caminho até o topo da carreira. Nesta caminhada, nunca imagine que é tão bom como Collina (árbitro italiano considerado por muitos como um dos melhores de todos os tempos), e sim aprenda com o seu talento e com sua dinâmica de atuar e, principalmente aplique as regras através do espírito do jogo, ou seja: nunca beneficiar o infrator.

O que faz Collina ser um árbitro de ponta e a sua maneira pessoal de lidar com a lei do jogo, pois é um líder natural e tem um visão extremamente positiva da vida, isso reflete quando comete erros ocasionais, pois como todo humano, isso é concebido, é de sua natureza, em seu caso estes erros são respeitados, pois é um líder nato, não um ditador querendo ser o dono da verdade.

O árbitro tem de ter ambição em sua carreira e perceber que para chegar ao topo deve trabalhar e reciclar sempre os seus conhecimentos, dividir com os companheiros informações e experiências vividas dentro e fora do campo de jogo, e, isso é uma maneira de ganhar a confiança e respeito dos demais árbitros.

Para finalizar este artigo, deixo uma frase do grande árbitro francês, Michel Vautrot, que arbitrou simplesmente duas finais de Copa do Mundo: "Deixem a vossa personalidade falar por vós ou jamais terão sucesso".

Por Valter Ferreira Mariano

Foto: IFFHS : Michel Vautrot (France), Jean Norbert Fraiponts (Belgica)