25 de set de 2009

Olho frio da câmera de televisão


Quando era torcedor fanático, não dava a mínima importância ao ser humano, árbitro de futebol (regra 05), pra mim, esta figura não passava de um inimigo, inimigo minha paixão, do meu time do coração, principalmente quando este marcava uma falta ou até mesmo um pênalti, pra não falar do pobre bandeirinha (árbitro assistente – regra 06), que ao assinalar corretamente um impedimento, ouvia da minha língua aguçada e venenosa um show de elogios.

Hoje em dia observo tantas coisas que não posso concordar ou tentar entender, pessoas que um dia fez parte do mundo da arbitragem, hoje se sentam atrás de um monitor de televisão, aonde o IBOPE vem em primeiro lugar, passando à equivocada opinião, comentando friamente que o árbitro errou.

A regra é clara, frase usada por um ex-árbitro que um dia apitou uma final de Copa do Mundo, e por ser clara, as decisões do árbitro não deve ser distorcida pela falsa visão passada pelas inúmeras câmeras de televisão, colocadas com a finalidade de expor os erros de arbitragem, dando o injusto verídico que o árbitro esta dentro do solo sagrado (campo de futebol – regra 01) somente para prejudicar esta ou aquela equipe.

Analise um pênalti (regra 14) marcado pelo árbitro, visto pelos vários ângulos registrados pelas câmeras, pênalti que fora assinalado de forma equivocado, agora, analise somente pelo o único ângulo de visão possível ao árbitro, assim pode chegar à conclusão que não houve um erro e sim uma limitação humana.

A sociedade futebolística deve aceitar o erro de arbitragem de forma natural, como um atacante perde um gol de forma bisonha e nem por isso é severamente criticado ou multado. O olho frio da câmera de televisão não pensa, não tem prazer e muito menos sonha. Não é humana.

2 de set de 2009

O HERÓI DA VÁRZEA

Como podemos definir o árbitro que apita futebol não profissional, o chamado futebol de várzea. Que adjetivo é mais apropriado. Herói! ou simplesmente louco!

Eles geralmente deixam o aconchego de seus lares, nos domingos, antes dos primeiros raios de sol, mal tomam o café da manhã e já correm para não perder a primeira condução, e tudo isso para chegar sempre no horário, antes das equipes, nos campos de futebol espalhados por este Brasil à fora.

São pessoas simples, porém dedicadas. Depois de vestirem a surrada roupa de árbitro e calçarem o velho par de chuteiras, digo de passagem, muito bem engraxadas, lá vão eles pra enfrentarem as mais diversas situações que uma partida de futebol pode proporcionar.

Uma boa parte destes “homens de preto” se quer concluiram o ensino básico ou até mesmo nem possui um diploma de curso de arbitragem de futebol. Apitam de coração. Com a coragem. Com a educação recebida dos pais, educação esta que resume à honestidade e ao respeito ao próximo. Do princípio de nunca prejudicar ou cometer injustiça.

São eles, sempre presentes nos campos de grama ou sem, de terra batida ou esburacado, com ou sem alambrados, com pequenos balaústres ou uma simples corda para separar a torcida enlouquecida querendo sempre o seu “couro”.

Campos estes localizados nas periferias das grandes cidades, em lugares em que até mesmo a polícia pensaria duas ou mais vezes antes de visita-los.

São estes árbitros que farão nas mentes dos futebolistas de fins de semana a alegria ou a tristeza. Pois a vitória veio apesar deles. E a derrota veio por causa deles.

Pessoas humildes, seres humanos, porém são árbitros de futebol. Verdadeiros heróis dos campos de futebol da várzea.

Valorizando os estudos e buscando novos desafios...


Meus queridos amigos a vida é cheia de surpresas, em um momento só o fato de pensar em viver fora dos gramados, me fazia sentir “calafrios”. Mas com o passar do tempo, depois de superar varias barreiras entres elas a hipocrisia e o preconceito, me peguei trabalhando e desenvolvendo outras atividades e principalmente valorizando os estudos, objetivo que sempre ficava em segundo plano como tudo na minha vida. O primeiro era sempre o futebol, e está priori me colocava em situações de glória, mas também de muita humilhação. Afinal era jovem, sonhadora e tinha como ideal marcar meu nome na história.


Acredito que consegui de várias maneiras, primeiro tendo como foco minha formação na arbitragem, depois adquirindo respeito dos colegas de profissão e de todo meio que envolve o mundo da bola, era uma obstinação. Apesar de muitos insinuarem que perdi todo respeito conquistado quando fui à primeira árbitra a fazer um nu artístico. O que não é verdade, a vaidade e necessidade de demonstrar “poder”, utilizou de um trabalho honesto para prejudicar o outro, reflexo de uma sociedade machista, preconceituosa e hipócrita. Aceitamos políticos corruptos, mas somos incapazes de aceitar uma mulher séria, correta, competente, guerreira e corajosa em sua atividade de trabalho após ter desenvolvido outro sem demérito algum para sua profissão. Isso sem contar os critérios de avaliação aos erros que são levados em conta entre A e B, sendo que os das mulheres são hipervalorizados. Mas enfim essas situações acontecem em qualquer lugar, apenas temos que aprender e conviver com elas lamentavelmente. Ah! Detalhe a culpa é sempre do profissional.


Mas voltando, como é gratificante o reconhecimento do público, mas o principal e eterno a conquista de fãs e admiradores por este mundo a fora. Sei que muitos me querem de volta aos gramados, isso fica evidente em cada mensagem, em cada pessoa que encontro. Fico muito feliz e honrada.


No passado sempre me diziam que estava fora do foco, estranho já que dediquei uma vida a arbitragem. Passei a pensar em mim, no inicio deste ano quando por motivos de saúde não fui aprovada nas provas físicas e me vi obrigada a assistir o paulistão pela Televisão ou na arquibancada, então resolvi priorizar a faculdade, família e vida social. Confesso a todos vocês que perdi um pouco o “tesão” de atuar profissionalmente, quando olho pra trás vejo que sou realizada, pois fiz tudo que foi possível fazer na qualidade arbitra assistente feminino no futebol masculino, uma das façanhas que guardo com carinho é de ter conseguido bandeirar dois jogos da Copa Libertadores da America em 2005. Não imaginei que iria tão longe. Obrigada Sr. Armando Marques e todos aqueles que contribuíram para este feito. Então amigos, digo que agora vou concluir os estudos, valorizar os que me valorizam e encarar novos desafios. E ajudar sempre os que precisam de mim.


Arbitragem obrigada por ter me ensinado a ser mulher e principalmente que é possível ir além. Quero mais (Copa do Mundo), mas isso só será possível fora dos gramados. Acredito em ciclos, acho que o meu ciclo no futebol dentro do campo de jogo terminou, já penso em um futuro fora dele. Espero em Deus que seja tão promissor, como foi na arbitragem. Mas deixo muito claro que ainda não desisti, apenas não vou deixar as oportunidades passarem.